Trabalhos vencedores da segunda edição mostram maturidade e revelam talentos. José Amaro e Leonardo Falcão ganharam concursos de roteiro
O anúncio dos 12 vencedores do 2º Festival de Vídeo de Pernambuco, divulgado quinta-feira no Cineteatro Apolo, mostrou-se mais próximo de sua proposta nuclear, de estimular a produção audiovisual no Estado. Com premiações mais equilibradas que na versão anterior, o evento confirmou a competência de autores locais já consagrados, e revelou o talento de novos realizadores.
Na mesma ocasião, foram divulgados os contemplados pelos concursos de roteiro Ary Severo (do Estado) e Firmo Neto (da Prefeitura da Cidade do Recife). Os vencedores, respectivamente, foram José Amaro de Souza Filho, por Tejucupapo; e Leonardo Henrique Largo Falcão, por Lugar Comum. Cada um vai recebeu R$ 60 mil para transformar seu roteiro em filme.
O número de 15 documentários na mostra competitiva do Festival de Vídeo não só tornou esta categoria a mais concorrida, como também a mais delicada no julgamento. Repetindo o favoritismo do ano passado, quando subiram ao palco por Luiz Gonzaga: A Luz do Sertão, Anselmo Alves e Rose Maria levaram o primeiro prêmio por A História dos Bonecos e dos Gigantes – uma reedição da série Brasil – Portugal: 500 Anos, produção patrocinada pelo Grupo Bompreço e veiculada pela TV Jornal.
O segundo e terceiro lugares ficaram com dois projetos de graduação em jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco: É Tudo Verdade, de Antônio Flávio Tabosa, e Tapacurá – O Boato, de José Carlos Collier.
Entre os trabalho ficcionais, a cuidadosa produção, a empatia dos personagens, e a qualidade digital das DVCam’s que captaram a imagens de O Amigo (primeiro lugar) e A Carteira (segundo lugar), fizeram destes vídeos os de maior receptividade entre o público.
O único senão de piadas-filmadas, como O Amigo, e Cinema de Português, de Fábio José, reside em sua validade diante do espectador que já conhece a piada. Trabalhos assim perdem boa parte da força. A premiação para Camilo Cavalcanti, com a estética ‘cabradapeste’ de Amorte (pronuncia-se ‘amôrti’, segundo seu criador), reforçou o amadurecimento do mais contínuo realizador recifense.
Os trabalhos experimentais, gênero mais autêntico ao formato deste festival, foram os responsáveis pelos melhores momentos. Destruindo o Monolito, sobre a espirituosa história de um ser que tenta destroçar o monolito de uma poderosa rede de TV, foi o único trabalho a receber, com unanimidade do júri, o posto de primeiro lugar. Em seguida, foram premiados Dedicatória, de Thiago Soares e Lorena Mascarenhas, e O Olho da Sibila, de Mila Targino e Silvana Batalha.
Os premiados na categoria clip foram: Rec Produção, por Otto; Lírio Ferreira, por Sheik Tosado; e A Telephone Colorido, por Zap Supersoniques, a produtora mais ‘alternativa’ do Recife, que mostrou a força de sua imaginação em, no mínimo, quatro dos 36 vídeos concorrentes. O destaque do festival vai para o editor tupinambá de imagens, Grilo, e seu cocar.
INADEQUAÇÕES – A comissão julgadora do Festival decidiu outorgar menções honrosas, por motivos distintos, a três produções: 500 Anos: Um Novo Mundo na TV, dirigido por Luiz Felipe Botelho; Dai a César, Dai a Deus, de João Carlos de Lira Lins; e Recife Drag: O Show Vai Começar, de Gamal Nanceu.
O primeiro deles, inscrito como documentário, foi ‘lido’ pelo júri como um vídeo educacional (assim como o bom Faz de Conta Que É Mentira, de Ana Flávia Ferraz, da Auçuba). A decisão por não julgá-los como documentário abriu a prerrogativa de se criar uma categoria específica para o gênero educacional na terceira edição do Festival. A surpresa vinda de Palmares, Dai a César, Dai a Deus, foi equivocadamente inscrita como experimental, quando é, na realidade, um comovente documento sobre a tragédia que atingiu aquele município com as chuvas de agosto. Já Recife Drag, foi lembrado por ressaltar mais um aspecto pop do Recife.