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SAÚDE
Estudo alerta para os riscos da retirada do útero

A intervenção cirúrgica para a retirada do útero, chamada de histerectomia, traz riscos para a mulher. Levantamento realizado pelo Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) identificou um índice de infecção hospitalar de 10% entre as pacientes submetidas à operação nos últimos quatro anos. O estudo, premiado no último Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, em Goiânia (GO), incluiu 441 mulheres.

A histerectomia é indicada em casos de tumores malignos e benignos no útero, mas de acordo com o médico do Imip Luís Carlos Santos é realizada algumas vezes sem necessidade. “No caso de um mioma de dois centímetros em uma mulher que não sente nada, por exemplo, não deve ser indicada a cirurgia”, opina o médico, que é coordenador do Centro de Atenção à Mulher.

O médico cita como exemplo as estatísticas do Estados Unidos, onde apenas 19% das mulheres acima de 60 anos realizam a cirurgia. “No Brasil, esse percentual é de 34%”. Nenhuma das pacientes pesquisadas morreu. Isso não quer dizer, entretanto, que o taxa de mortalidade seja nula. Os índices apontam para uma morte em cada quatro mil mulheres submetidas à histerectomia. “Nosso universo de pesquisa foi inferior a este número”, justifica Santos.

Para o ginecologista, a importância funcional do útero também deve ser levada em conta. “Culturalmente, depois que a mulher tem filhos é como se o útero perdesse sua utilidade”. Ele lembra que o órgão é responsável pela sustentação do assoalho pélvico, mantendo a posição anatômica da bexiga e do reto. A histerectomia, inclusive, é um das causa da incontinência urinária na terceira idade.

Outras conseqüências da cirurgia, informa Luís Carlos Santos, é a antecipação da menopausa em cinco anos. “Sem o útero, os ovários têm uma redução de vida”. Segundo ele, a histerectomia, geralmente realizada em mulheres entre 40 e 50 anos, aumenta o risco de obstrução do intestino em idosos.

A pesquisa analisou ainda os grupos de mulheres que correm mais riscos ao fazer esse tipo de cirurgia. As com mais de 60 anos têm cinco vezes mais chances de ter infecção; e as diabéticas, 22%. Aquelas que passaram mais de duas horas na mesa de cirurgia tiveram oito vezes mais infecção hospitalar.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.01.2000
Segunda-feira