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LIVRO
O mar não tem limites para Amyr Klink

Para Amyr Klink, o mundo é um mar, sem passado, futuro, sem fim que lhe dê limites. Para o mar, Amyr Klink é um homem sem limites. Depois de passar pouco mais de 100 dias entre o céu e o mar do Oceano Atlântico e de se isolar do mundo por dois anos na Antártica, o navegador volta ao gelo do extremo sul do Planeta para dar uma volta ao mundo pelas bordas novamente da Antártica. O marinheiro está hoje, às 17h30, no Hiper Bompreço de Boa Viagem, para divulgar seu mais novo livro, Mar Sem Fim, que relata as pequenas e grandes aventuras de Amyr e de seu companheiro predileto, o barco a vela Paratii, nome em homenagem à cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, ponto de partida de todas as histórias.

JORNAL DO COMMERCIO – Quando você fez sua primeira grande aventura, a dos 100 dias remando no Oceano Atlântico, já havia a intenção de publicar um livro depois?
AMYR KLINK
– Não, a história de escrever foi por acaso. Até então, minha experiência como escritor se resumia em publicar artigos para revistas de arte naval. Mas, bem antes disso, eu já gostava de escrever. Estudei durante sete ou oito anos literatura francesa.

JC – Em Mar Sem Fim, você ilustra bastante o livro com desenhos e mapas. O que não foi tão presente em Paratii e, principalmente, em 100 Dias Entre o Céu e o Mar. Houve uma preocupação de documentar mais neste último livro?
AK
– Eu pensei da seguinte forma: como a viagem era para uma região pouco documentada, tanto por jornalistas, como por historiadores, resolvi fazer menos fotos e ilustrar mais. Sempre senti uma dificuldade gráfica de se mostrar a Antártica, então decidi compor mapas e desenhos, trabalho feito aliás por Sírio Cançado. Adoro mapas, adoro desenhá-los. E neste livro, você não encontra nenhum mapa que não seja original, muito bem cuidado. Quantos às ilustrações, acho que nunca houve um inventário tão completo da fauna da Antártica como neste livro.

JC – O que tanto te fascina na Antártica?
AK
– Acho que a curiosidade pela Antártica não é privilégio meu. Todas as pessoas que eu conheci e que já passaram por lá ficam fascinadas. Sem contar que a história da Antártica rendeu até hoje relatos fantásticos, escritos em sua maioria na chamada fase heróica do ‘descobrimento’ do local. Estou convencendo a editora (Companhia das Letras) a publicar alguns desses livros que fizeram a história da Antártica. O primeiro que vai sair é o de Roland Huntford (The Last Place on Earth, O Último Lugar na Terra). Confesso que me tornei navegador por causa desses livros. E, claro, pelo fato de também morar em Paraty e descobri um dia que alguns desses escritores estavam ancorados na praia num barquinho enferrujado.

JC – Queria que você falasse um pouco sobre a experiência de estar só, em um lugar que também é só?
AK
– Não é ruim não. Ficar só é uma experiência muito forte e acho que muita gente ia gostar de fazer isso na vida. O que mais me preocupava, na verdade, era o fato de estar sozinho e de não poder contar com a ajuda de ninguém, caso houvesse algum problema. Era uma sensação de abandono. Mas em relação ao isolamento físico, isto não incomoda nenhum pouco.

JC – Nesta última viagem, você roda o mundo justamente pelo caminho mais difícil e pela rota de maior turbulência. Por que esta opção?
AK
– Esta viagem no mapa era linda de morrer. Não é que eu escolha os lugares mais difíceis, é que é sempre mais interessante passar aonde ninguém se atreve a ir.

JC – Quais são seus próximos planos? Vai haver ainda outra publicação em relação a esta viagem?
AK –
Não farei mais nada falando desta viagem. Meus planos agora são outros. Pretendo traçar um roteiro para a China, só que pelo Pólo Ártico, justamente outro lugar por onde poucos se atrevem a ir. Estamos construindo um barco bem maior e mais simples que o Paratii para fazer esta viagem.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.06.2000
Sábado