
EXPOSIÇÃO II
O melhor
do Brasil no polêmico estande A concepção do estande brasileiro
é arrojada e chama a atenção para o que Brasil melhor
pode oferecer aos turistas em potencial: são previstas
200 mil pessoas por dia, segundo os mais otimistas.
O estande do Brasil chama
atenção logo na entrada, com o lúdico painel móvel de
madeira no qual se podem empurrar os pinos e compor as
formas mais diversas.
Uma cortina de tubos de
metal faz as vezes de porta e soa como um gigantesco
mensageiro. No chão, um tapete de areia, forrado por um
vidro blindado, com as várias configurações
geográficas do mapa do Brasil.
A sala de visita, então,
reproduz interiores de casa do interior nordestino com as
paredes em cores vivas, loucas, posters de times de
futebol, fotografias e o que mais se possa pendurar, sem
falar numa parede inteira de bonecas de pano e outra de
ex-votos. Os germânicos mais tropicalizados adoraram e
estão loucos para levar um pedacinho para casa, disse o
motorista brasileiro, descendente de alemão, que
trabalha para a delegação brasileira.
Mestre Vitalino de Caruaru
e seus herdeiros ganharam uma homenagem singela. Bonecos
de barro em pequenas caixas se somam a outras milhares de
caixetas cheias das sementes produzidas pela agricultura
brasileira.
O casamento
tecnologia-cultura se dá com uma videoinstalação de
Arnaldo Antunes sobre um texto antropofágico de Oswald
de Andrade (que nós traduzimos, por gentileza, para
vários idiomas). A crítica à devastação ao meio
ambiente se faz presente em duas esculturas que cruzam em
X enormes troncos de árvores.
CALOR DE
PERNAMBUCO Ainda no pavilhão do Brasil,
além de apresentação dos grupos pernambucanos, que
seduzem os visitantes pelo seu já conhecido colorido,
pela cadência do batuque, pelo calor (e sensualidade) do
frevo e a alegria de Antúlio, Pernambuco procura atrair
os turistas com um vídeo mostrando a sua já tão
decantada variedade cultural, escondendo a violência, a
corrução e a miséria que tiram o sono até mesmo dos
pernambucanos, assim como fazem, via-de-regra todos os
países latino-americanos, asiáticos e africanos, porque
miséria não atrai turistas.
Nos arredores de Hannover,
o Maracatu Estrela Brilhante vai encantando as outras
delegações e os militares do quartel alemão onde
estão hospedados, num intercâmbio étnico impensável
há meio século.
A Expo 2000, última feira
mundial do século e do milênio, é uma prova da
pujança econômica da Alemanha no mundo, particularmente
na Europa, do orgulho extremado do povo alemão e da sua
tentativa de superar suas dificuldades de relacionamento
com o restante do mundo. Somente este tipo de
comportamento pode justificar que a única língua
oficial da Expo 2000 e não somente aqui,
mas em toda Hannover - seja o alemão. Todo o
material de divulgação e informativo da feira mundial
somente está disponível neste idioma e são poucos os
alemães que trabalham na feira que falam alguma coisa de
inglês, francês, italiano e espanhol. Português,
então, nem pensar.
-----------------------------------------------------------------------