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VIOLÊNCIA
Seqüestradores fazem nova vítima em Bezerros

As quadrilhas de seqüestro-relâmpago continuam afrontando a polícia Pernambucana. Desta vez, a vítima foi um comerciante de Bezerros, por ironia, a primeira e única cidade do Estado a contar com um núcleo de polícia integrada, concentrando em um só prédio a Militar, a Civil e o Corpo de Bombeiros. Severino Alves de Oliveira, 57 anos, ficou sete horas e meia em poder de três seqüestradores, ontem, e foi solto após pagamento de um resgate de R$ 23 mil em espécie, segundo informações extra-oficiais.

Familiares da vítima afirmam que o grupo pediu R$ 150 mil pela vida de Severino Alves, conhecido por Liu, mas o pagamento ficou apenas em R$ 3 mil. “O preço foi negociado, informamos que não tínhamos essa quantia disponível”, disse Fernando de Melo, genro de Severino Alves. O comerciante foi seqüestrado às 7h30 da manhã, quando estava saindo de casa, acompanhado da filha Mireile Cibele, 25, para trabalhar. Ele mora em um duplex na Rua da Matriz, nº 116, a principal da cidade.

Segundo Fernando Melo, o preço do resgate foi fechado às 11h e o dinheiro, entregue a um portador enviado pelos seqüestradores, ao meio-dia, no município de Pombos. Severino foi liberado às 15h na área rural da cidade de Camocim de São Félix, distante cerca de 20 quilômetros de Bezerros. Ele disse aos familiares que foi levado direto para um matagal. Um dos seqüestradores teria ido embora e os outros dois permaneceram no cativeiro.

Os seqüestradores usaram o carro do comerciante, um Ômega branco (MUA-1524, de Bezerros), modelo 95, para ir ao cativeiro. “Após liberado, seu Liu foi andando para a área urbana de Camocim e telefonou de um posto de gasolina de um amigo”. Segundo Melo, os seqüestradores tomaram uma Pick-up na estrada e fugiram. “Seu Liu disse que não sofreu nenhuma agressão física, ele está calmo e foi direto para o Recife com a família”.

O comerciante é proprietário de três postos de gasolina – um em Bezerros, um em Caruaru e outro em Carpina – e de outras casas comerciais em Bezerros. A advogada Adriana Oliveira, nora da vítima, disse que ele é uma pessoa simples e não ostenta luxo. Ela contou que a abordagem foi feita na garagem da casa. “Os três homens (um encapuzado e dois sem capuz) anunciaram o seqüestro e pediram para a filha dele sair do carro e entrar em casa”. Ao sair da garagem, eles quebraram o portão da casa e deram dois tiros para o alto.

Fernando Melo disse que o primeiro contato com a família foi feito por volta das 8h30, pelo telefone celular do comerciante. Ao longo da manhã, os seqüestradores fizeram cinco ligações para o celular do filho da vítima. A delegada de Bezerros, Patrícia Carvalho, vai ouvir o depoimento do comerciante. “Que eu saiba, esse foi o primeiro seqüestro-relâmpago ocorrido na cidade. Era de se esperar, pois aconteceu um em Caruaru no mês passado”. Patrícia disse que chegou a ouvir os tiros, mas pensava que eram fogos juninos.

“Quando fui informada do seqüestro, fui para a casa da vítima. Fizemos diligências até Bonito, mas as informações começaram a ficar contraditórias e às 9h30 resolvemos voltar”. A população ficou atemorizada com episódio. “Isso nos dá um sentimento de falta de segurança, não temos nenhuma garantia, apesar do policiamento”, afirmou o aposentado Antônio Azevedo.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.06.2000
Sábado