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REFORMA AGRÁRIA
Agricultores saqueiam leite e óleo da Ceagepe, mas PM recupera alimento

PETROLINA - Cerca de 2,3 toneladas de leite em pó e mais de 2 mil latas de óleo foram saqueadas na madrugada do ontem de dentro da unidade da Companhia de Abastecimento e Armazéns do Estado de Pernambuco (Ceagepe), neste município, por trabalhadores rurais sem-terra que estão acampados na Fazenda Santa Tereza. O imóvel, pertencente ao deputado estadual Diniz Cavalcante (PMDB), foi ocupado há cerca de três meses e fica a menos de dois quilômetros da Ceagepe. A Polícia Militar foi acionada e acabou prendendo os agricultores Gilson Rodrigues de Souza e Carlos José de Souza.

O tenente Aparecido Alexandre de Carvalho, do 5º Batalhão da Polícia Militar, informou que os sem-terra deram início ao saque por volta de 1h da manhã. Segundo ele, um grupo manteve o vigilante da unidade, Roberto Brito, como refém, enquanto os outros sem-terra seguiram direto para um dos armazéns onde os alimentos estavam estocados. “Eles quebraram os cadeados das portas e começaram a transportar a mercadoria para duas caminhonetes alugadas”, comentou o policial. Em seguida, os produtos foram levados para a fazenda.

Por volta das 6h, o 5º BPM deslocou duas viaturas com 20 homens até o acampamento para recuperar os alimentos saqueados. Ainda de acordo com o tenente Alexandre, parte da mercadoria estava enterrada na própria fazenda. Ele disse que não houve conflito e que foram resgatados pouco mais de 50% dos produtos pertencentes à Secretaria de Saúde do município. A outra parte do produto, ressaltou o policial militar, pode ter sido levado pelos donos dos veículos como acerto de contas.

FOME E DOENÇA – Um dos cordenadores do acapamento Santa Tereza, o agricultor Francisco de Almeida, disse que todo o alimento saqueado foi devolvido e que apenas uma pequena parte do leite já tinha sido consumida pelas crianças que vivem no acampamento na hora que a polícia chegou.

“A gente não queria fazer o saque, mas as famílias estão passando fome e muitas crianças se encontram doentes. Era a saída que a gente tinha para sobreviver”, argumentou Francisco de Almeida.

O delegado municipal José Renivaldo da Silva liberou os dois sem-terra detidos, por falta de provas de que eles tinham participado do saque.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.06.2000
Sábado