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SAÚDE
Novas contratações não desmobilizam médicos

A contratação de concursados para diminuir o déficit de profissionais nos hospitais administrados pelo Governo de Pernambuco não desmobilizou os médicos, em estado de greve desde a semana passada. O grupo que entregou cargos de chefia pode até crescer a partir da próxima semana, com a adesão de colegas de outras grandes emergências. “As medidas anunciadas pelo secretário de Saúde, Guilherme Robalinho, são positivas, mas a negociação envolve outros itens, como a reposição salarial”, afirmou, ontem, o presidente do Sindicato dos Médicos, Ricardo Paiva.

Os médicos reivindicam reajuste de 55%, para repor perdas de maio de 95 a maio deste ano, reclassificação, plano de cargos e carreira e melhoria das condições de trabalho, o que passa por uso de equipamentos de proteção individual, aparelhos e remédios para atender os pacientes.

A pressão começou com a ação de 23 médicos do Hospital Otávio de Freitas, que colocaram seus cargos de chefia à disposição da direção do hospital, conforme informações do sindicato. Os plantonistas se queixam da sobrecarga de trabalho e da impotência diante da falta de materiais, como medicamentos. De acordo com o sindicato, num plantão de 12 horas, um médico chega a atender até 100 pacientes.

Nesta segunda-feira está prevista mais uma rodada de negociação com o governo e, na quarta, às 19h, acontecerá uma assembléia geral da categoria. O Estado mantém a posição de apresentar até o dia 30 deste mês uma contraproposta salarial. A contratação de concursados, anunciada na quinta-feira pelo secretário Robalinho, é uma reivindicação antiga do Sindicato dos Médicos. “Teria mesmo que acontecer, sob pena de o governo ter que se justificar na Justiça”, disse Mozart Sales, diretor da entidade. Ele lembra que o Estado vinha ocupando as vagas dos concursados com contratações temporárias, o que seria irregular.

Conforme o governo, dos 400 concursados a serem chamados, 300 são médicos. Ontem, a Secretaria Estadual de Saúde informou como será a distribuição nas unidades, mas não adiantou a data em que sairão as nomeações. O maior reforço vai para o Hospital da Restauração (60), seguido do Regional do Agreste (38). O Otávio de Freitas receberá 22 profissionais. Os concursados vão ocupar vagas de aposentadorias, demissões e abandono de serviço. Quanto aos investimentos anunciados para reforma física dos hospitais e compra de equipamentos, o presidente do Sindicato dos Médicos também considerou uma medida positiva. “Temos interesse em acompanhar a aplicação desses recursos”, comentou.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.06.2000
Sábado