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SAÚDE III Polícia apreende carga de medicamentos No auge da crise da saúde em Pernambuco, a polícia realiza a apreensão de uma carga de medicamentos contrabandeados. Na madrugada de ontem, policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos detiveram um grupo envolvido no transporte de 38 caixotes com milhares de unidades de pomadas, analgésicos e remédios de uso contínuo, que seriam vendidos sem nota fiscal em nove farmácias de seis cidades do interior do Estado. A carga, avaliada em R$ 15 mil, foi encontrada num Escort vermelho, placa CCH 9706, da Paraíba, e em um depósito localizado na Imbiribeira. Pertence à distribuidora H. A. Brito, sediada em Cabedelo, município paraibano distante 125 quilômetros do Recife. O material estava em poder de Hugo Angelotti da Silva Filho e de Franklin Maciel. Seria entregue a Gérson Moreira da Costa Júnior. Os três envolvidos foram levados à delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, onde prestaram depoimento e foram autuados em flagrante por crime de sonegação fiscal, sendo encaminhados, em seguida, para o Presídio Aníbal Bruno. A apreensão da carga foi facilitada pela ação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa de Pernambuco que investiga a distribuição irregular de medicamentos. A empresa, existente há 30 anos, já havia sido denunciada à CPI, através de um telefonema anônimo. De acordo com as informações colhidas pelos deputados, os envolvidos costumam transportar remédios entre os dois Estados há muitos anos, sonegando o ICMS. Pelo menos três vezes por semana, os motoristas recebem R$ 300 em cada viagem para carregar os veículos em João Pessoa, durante a madrugada, e entregar a mercadoria no Recife. Ao analisar os roteiros de entrega do material, os deputados estranharam. Os medicamentos seguiriam para Caruaru, Catende, Águas Belas, Agrestina, Palmares e Vitória de Santo Antão, locais já investigados pela CPI. Por causa da apreensão da carga, a CPI decidiu adiar a reunião marcada para ontem, deixando para a próxima segunda-feira o início da nova fase de depoimentos. Os donos da H. A. Brito devem ser os primeiros a depor. Já virou rotina em Pernambuco esta sonegação. É impossível um Estado que tem 3 mil farmácias e mais de 500 distribuidoras só arrecadar R$ 5 milhões de ICMS com medicamentos, questiona o deputado Sérgio Leite (PT), presidente da CPI. O advogado da empresa afirmou que a apreensão foi motivada pela guerra fiscal entre os dois Estados. |
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