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PARTO Precariedade em atendimento leva mães à morte Das 108 mulheres residentes no Recife que, de 1994 a 1998, morreram em decorrência de complicações na gravidez, parto ou pós-parto, 26% tiveram que procurar mais de um hospital para receber atendimento. A informação está em um levantamento concluído no final do mês passado pelo Comitê Municipal de Estudos da Mortalidade Materna, que analisou dados investigados pela Secretaria de Saúde da capital. Os números revelam a precariedade das condições de vida e assistência médica recebida pelas mulheres, avalia Márcia Larangeiras, da organização não-governamental S.O.S. Corpo e membro do comitê. A peregrinação para encontrar a assistência é apontada como uma conseqüência da desarticulação entre as unidades de saúde. A causa mais freqüente de morte foi a pressão arterial alta: 19,4% dos casos. Conforme avaliação do comitê, a evolução e o prognóstico dos transtornos hipertensivos estão intimamente relacionados a um bom atendimento no pré-natal. Cerca de 61% das mulheres que morreram tiveram acesso ao serviço e 36% compareceram a seis ou mais consultas. É urgente a implementação das ações do pré-natal, incluindo a facilitação do acesso, avaliação e controle das atividades visando a melhoria da qualidade da assistência, diz o relatório. Grande parte das mulheres que morreram estavam em faixas etárias consideradas de alto risco. Pouco mais de 21% tinham menos de 20 anos (eram adolescentes) e cerca de 40% tinham ultrapassado os 30 anos. Os dados mostram que 24% das pacientes morreram em hospital sem maternidade e 4% em casa. Depois da pressão alta, aparecem como causa de morte a hemorragia, embolia pulmonar e aborto. No levantamento, são consideradas complicações que vão desde o início da gravidez até um ano após os nove meses de gestação. A taxa de mortalidade materna no Recife é considerada alta pelos parâmetros da Organização Mundial de Saúde. Considerando o período de 94 a 98, foram mais de 70 óbitos para cada 100 mil crianças nascidas vivas. Entre as propostas do comitê, que reúne secretarias de saúde do Estado e do Recife, ONGs, entidades médicas e universidades, estão a sensibilização dos profissionais de saúde para o problema, garantia de leitos nas maternidades, existência obrigatória de obstetra e anestesista de plantão nos municípios vizinhos ao Recife e treinamento de agentes comunitários de saúde e do Programa Saúde da Família para identificar sinais de complicação do pós-parto. |
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