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HISTÓRIA II Primeira expedição pernambucana foi realizada há um século Um século após a viagem do pesquisador José Hygino Duarte Pereira à Holanda, para procurar nos arquivos flamengos documentos sobre o período holandês no Brasil, o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e o Ministério da Cultura dão início a uma nova viagem pelo túnel do tempo. Aproveitando a passagem dos 500 anos de descobrimento do Brasil, o Instituto Arqueológico mergulha mais uma vez nos arquivos holandeses e alemães em busca de novas informações que possam elucidar os 24 anos da dominação holandesa em Pernambuco, de 1630 a 1654. O levantamento está sendo feito pelo professor Marcos Galindo. Ele já visitou o arquivo pessoal do conde Maurício de Nassau, o governador do Brasil holandês no período de 1637 a 1644, que fica guardado no Palácio Real de Haia. Nos arquivos notariais de Amsterdam, Marcos Galindo encontrou mais de três mil fichas referentes ao período do Brasil holandês. Estão sendo visitados os seguintes locais: Arquivo Geral do Estado, Arquivo da Casa Real em Haia, Biblioteca da Universidade de Leiden, Arquivo Municipal de Amsteram, arquivos reais da Província de Groningen, do Haarlem, da Frieslândia, de Dordrecht e de Utrechts, além do Arquivo da Cidade de Middelburg-Zelândia. As pesquisas fazem parte do Projeto Resgate, do Ministério da Cultura, e resultará no Guia de Fontes Manuscritas de Interesse da História do Brasil Existentes na Holanda, que será publicado pela Editora Massangana até o final deste ano. TRADUÇÃO Essa é a terceira grande expedição pernambucana aos arquivos dos Países Baixos. A primeira foi a de José Hygino no final do século 19 e segunda foi realizada pelo historiador José Antônio Gonsalves de Mello (presidente de honra do Instituto Arqueológico), entre 1957 e 1958, que pesquisou 60 mil documentos. O material trazido por José Hygino foi traduzido do holandês arcaico (século 17) para o holandês do século 19 e veio para o Brasil todo manuscrito. São cerca de 11 mil páginas escritas à mão. O instituto tem todo o interesse em traduzir os documentos do Arquivo José Hygino para o português, microfilmar, lançar uma versão em CD-ROM e abrir o material para pesquisa, declara o primeiro secretário da instituição, Reinaldo Carneiro Leão. As pesquisas de José Hygino foram financiadas pelo Instituto Arqueológico com apoio do Governo Provincial, que doou sete contos de réis. Por este motivo e também por ser o Instituto Arqueológico de utilidade pública federal há mais de 80 anos, os sócios afirmam que não há interesse em manter essa documentação longe do público. O instituto foi criado em 1862 e é a segunda instituição do gênero no Brasil. A primeira é do Rio de Janeiro. PESQUISA Marcos Galindo está na Holanda fazendo doutorado na Universidade de Leiden e, paralelamente, foi contratado pelo Projeto Resgate para elaborar um guia dessas fontes de pesquisas holandesas. O trabalho, segundo ele, é uma extensão do Projeto Ultramar da Universidade Federal de Pernambuco, que tinha como proposta divulgar na Web documentação histórica de interesse brasileiro. No capítulo relativo à Holanda, informa Marcos Galindo, a pesquisa se articulou com o Projeto Resgate e com o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, para desenvolver um inventário, catálogo e web site (Ultramar), divulgando no ambiente digital este rico material que só é conhecido no Brasil um pouco mais de 15% do seu potencial. A Universidade de Leiden e os arquivos gerais de Haia também são parceiros do projeto. |
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