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CPI DOS COMBUSTÍVEIS III
Sócio da Max passa mal e é dispensado

Após diversas convocações, o sócio da Max Petróleo Virgílio Pacífico Pereira Gomes compareceu ontem à CPI dos Combustíveis. Mas sua presença acabou causando tumulto e ele só falou por menos de um minuto por conta da profunda depressão que aparentou estar passando. O seu advogado, Mário Gil Rodrigues, tinha acertado com os deputados na última quinta-feira que iria levá-lo a depor ontem, evitando assim uma convocação coercitiva.

No entanto, na hora marcada, o advogado chegou à Assembléia afirmando que Virgílio Pacífico continuava sem condições para prestar depoimento por causa de seu estado psicológico. Ele chegou a informar que o sócio já detinha um salvo-conduto para não ser preso e que poderia, inclusive, derrubar a convocação coercitiva na Justiça.

Os deputados, no entanto, não aceitaram os argumentos de Mário Gil Rodrigues, e solicitaram que uma ambulância ficasse de plantão por causa do depoente. Ao chegar no plenário, o sócio da distribuidora demonstrou que não teria qualquer condição psicológica de ser questionado. Foi feita uma votação para saber se ele iria depor ontem mesmo ou reconvocado para segunda-feira e ouvido reservadamente em sua residência.

A última proposta foi a vencedora, mas o próprio advogado resolveu solicitar que seu depoimento fosse feito, o que acabou sendo acatado. Antes mesmo de ser perguntado, Virgílio Pacífico começou a dizer que era sócio da empresa, que vinha lendo o noticiário da CPI nos jornais e que teria falado com Geraldo Uchôa e André Pereira – procuradores da distribuidora – pelo telefone. Nesse momento, começou a chorar bastante e o presidente da Comissão, deputado Augusto Coutinho (PFL), decidiu por encerrar seu depoimento.

O deputado Paulo Rubem (PT) encaminhou requerimento para que fosse solicitado ao Ministério Público um acompanhamento mais direto de Virgílio Pacífico, com o objetivo de verificar se está sendo preservada a sua sanidade mental. “Estão sedando ele”, reclamou o deputado Hélio Urquiza.

Para a deputada Tereza Duere (PFL), o que está existindo é uma pressão forte para que Virgílio não fale à CPI. A suspeita da Comissão é que, na verdade, ele seja o sócio-laranja da Max, representando André Pereira - procurador da distribuidora. Já prestaram depoimento à CPI os outros sócios da Max, Severino Fortunato e Claudiomar Pessoa, além do procurador Geraldo Uchôa. Todos, praticamente, afirmaram que Uchôa é o verdadeiro dono da empresa e representado por Fortunato e Claudiomar.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.06.2000
Sábado