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Paz mais próxima A situação no Oriente Médio parece estar mais definida após o encontro entre Ehud Barak, primeiro ministro de Israel, e Yasser Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), no mês passado. Eles conversaram em Ramalá (Cisjordânia). Não houve comunicado oficial, de nenhum dos dois lados, sobre os resultados da cúpula. Segundo, porém, o que apurou o jornal francês Le Monde, que goza de grande credibilidade, os dois negociadores fizeram progressos quanto ao que poderia constituir um acordo aceitável por ambos. Jerusalém continuaria sob a soberania israelense, mas a parte árabe da cidade santa (para judeus, cristãos e muçulmanos) teria ampla administração palestina, inclusive com direito a instalar seu parlamento na área suburbana de Abu Dis. O Estado palestino controlaria de 80% a 90% da Cisjordânia. Os colonos judeus em território palestino poderiam arrendar terras de suas atuais colônias. Um referendo seria organizado em Israel sobre essas delicadas questões, para pedir aos israelenses que aprovem o compromisso de seu governo e de seu país de reconhecer um futuro Estado palestino. Depois da cúpula, os efetivos militares israelenses que ocupavam o sul do Líbano cumpriram antiga promessa e abandonaram suas posições (os fanáticos do Hisbollah, responsáveis por uma quantidade de atos de terrorismo anti-acordo, querem que se acredite que foram eles que expulsaram os soldados judeus; suas ações prosseguem). Enquanto avaliações pessimistas fazem crer que nenhum progresso ocorre há meses, as negociações palestino-israelenses parecem mais avançadas do que dão a entender declarações públicas das últimas semanas. Não há um acordo completo, mas numerosos problemas foram resolvidos. Questões importantes, como a dos refugiados palestinos, contam com propostas de solução técnica, transmitidas detalhadamente ao jornal parisiense por fontes confiáveis; elas implicam, porém, em opções políticas sensíveis, como no caso do status de Jerusalém, e nos das colônias e dos refugiados. No estado atual das discussões, a cidade de Jerusalém deveria permanecer sob total soberania israelense; mas haveria maleabilidade e os palestinos teriam voz e vez nos negócios urbanos. A parte leste (árabe) da cidade seria gerida pela ANP, que recuperaria cidades e vilas que circundam Jerusalém. Os palestinos teriam acesso protegido aos lugares santos muçulmanos. A amplitude de controle da ANP sobre territórios seria maior do que a prevista pelos colonos que se instalaram em território árabe durante anos (sobretudo no governo ultra-direitista de Binyamin Netanyahu. Quanto à questão dos refugiados palestinos (a mais simbolicamente pesada), que se arrasta desde a criação do Estado de Israel, há meio século, as duas partes concordam que não podem resolvê-la bilateralmente. O problema poderia ser resolvido em parte por uma conferência internacional sob a égide da ONU, da União Européia e dos Estados Unidos. Compreende basicamente a indenização material e moral dos árabes que tiveram de deixar suas casas ou foram expulsos de suas terras durante os acontecimentos que envolveram a partilha da Palestina em 1947. Reciprocamente, os judeus que fugiram de países árabes, com medo de represálias pela criação do Estado de Israel, também seriam indenizados. O encontro de Arafat e Barak teve certamente por objetivo distinguir um pouco melhor os problemas sobre os quais terão de debruçar-se brevemente. Foi precedido por várias conversas de Dennis Ross, enviado americano ao Oriente Médio, com especialistas palestinos e israelenses que participam das negociações bilaterais. Um acordo-quadro estava previsto para ser assinado em maio, como prelúdio a um acordo definitivo a ser firmado em setembro, data que será certamente revista. Mas a aproximação e aceitação mútuas entre os dois povos progrediu muito no atual governo israelense. O princípio de um Estado
palestino já não é um obstáculo maior para os
responsáveis por Israel. No dia em que Barak e Arafat
tomarem a iniciativa e a responsabilidade por um acordo
político sobre as grandes questões aqui abordadas, os
eleitores israelenses poderiam ser logo chamados a
referendar o compromisso de Israel de reconhecer aquele
novo Estado desde a sua criação, prevista para fins do
ano 2000 ou início de 2001. Especialistas nesses
assuntos acreditam que um tal referendo daria a
aprovação de larga maioria dos israelenses a uma nova
Palestina, sensivelmente encolhida territorialmente. |
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