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Tentação com gosto de massa e queijo por Carol Almeida Depois do fogo, a maior invenção do mundo foi a roda. Unindo esses dois elementos, fogo e roda, o homem chegou milhares de anos depois à grande invenção da gastronomia dos carboidratos: a pizza. Apesar da afirmação não ser compartilhada por todos (há quem diga que a pizza é somente mais uma junkie food), não há como negar que, se existe algum tipo de restaurante que se prolifera em alta velocidade, chama-se pizzaria. Das mais tradicionais até o fast-food, elas estão em quase toda esquina. O fenômeno que chegou em Pernambuco somente na década de 70, e ainda assim de forma bastante rara (algumas festas instalavam barracas de pizza na época), tornou-se mais comum que lanchonete. Mas, assim como todos os mal julgados réus da culinária, a pizza também merece um lugar ao sol na pirâmide dos alimentos mais saborosos. Para alcançar este posto, a boa pizza precisa cumprir pré-requisitos básicos: massa de fabricação artesanal, molho com ingredientes selecionados (esqueçam tomates fora do ponto ou mussarela congelada) e o forno deverá ser, de preferência, à lenha, onde a temperatura fica a cerca de 400°c. Esta receita, porém, não é seguida à risca por todas as boas pizzarias da cidade. O forno à lenha, por exemplo, ainda é um grande entrave para alguns restaurantes. Boa parte deles, por falta de espaço ou capital, usam o forno a gás elétrico. Segundo José Ferreira Lins, proprietário da pizzaria O Lenhador, a diferença entre o método artesanal e o elétrico é que, no primeiro, mesmo se você coloca cinco pizzas ao mesmo tempo, a temperatura permanece a mesma. No segundo, esta temperatura baixa se você põe mais de uma pizza. Mesmo assim, há ainda algumas opções no Recife onde, apesar de não ser assada em forno à lenha, a pizza continua sendo muito boa. Exemplo disto é a La Capannina, em Boa Viagem, ou a Flor do Jucá, na Madalena. Mesmo trabalhando com gás elétrico, estes restaurantes trazem como carro-chefe de seu cardápio pizzas conhecidas e aprovadas na cidade. Tanto é que, somente na Flor do Jucá, em dia de muito movimento, são produzidas cerca de 700 pizzas. Entre as mais procuradas e inventivas da cidade, estão a La Gondola e Barazzone. A primeira é conhecida pela qualidade da massa, sempre fina, e pela produção quase 100% artesanal de sua pizza (produção esta que pode ser observada pelos clientes que sentarem no espaço aberto do restaurante. Apesar de ser italiano, não costumo entrar na cozinha. Mas garanto que gosto muito de comer, e comer bem, brinca Mario Tomasseli, proprietário do restaurante que é, propositalmente, todo decorado com quadros do Carnaval de Veneza (Tomasseli é veneziano). Já na Barazzone, conhecida por ter lançado a famosa borda de catupiry, o cliente tem nestes próximos meses a opção de saborear a pizza com um vinho francês (este mês o escolhido é o Canti Ruffino), vendido em garrafa por um preço bem mais amigo que nas prateleiras das delicatessens. A casa prepara para os próximos meses uma reforma completa de seu espaço, o que aliás, deverá melhorar bastante o visual do local, ainda descuidado. Assim como as melhores pizzarias da cidade, a Barazzone trabalha com forno à lenha, só que, em uma atitude mais ecologicamente correta, sua lenha é na verdade um condensado de pó-de-serra. Ainda entre as casas que devem constar, obrigatoriamente, na lista de um bom apreciador do prato, estão a Micheluccio, onde se pode escolher a espessura da massa, a Bella Via, que tem como maior trunfo a paisagem vista do Alto da Sé, em Olinda, a Siciliana, que traz um confortável ambiente de cantina italiana e finalmente a Zuppe, uma das mais antigas pizzarias da cidade que, depois da concorrência das demais, teve que fechar as filiais em Olinda e em Boa Viagem para ficar somente nos Aflitos. O segredo da boa pizza é a massa fina e o molho de tomate. Com isso, você pode fazer qualquer coisa, fala Breno Neves, assumidamente viciado em pizza desde pequeno. Apesar de ser purista em relação a produção do prato, ele confessa que seu maior recorde foi comer 15 fatias (dez salgadas e cinco doces) de pizza em um rodízio da cidade. Para ele, e para todos aqueles que não abrem mão de pizzas, nem que sejam de rodízios (onde geralmente as massas são fabricadas em série), a oferta está cada vez mais sortida. Só não cometam o pecado de comprar pizzas congeladas no supermercado. Nesta hora, vale mais a velha e trabalhosa receita da mamma ou do livro de receitas mesmo. |
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