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Reféns das represas O consumo de energia elétrica cresce 5% ao ano, já à frente da economia brasileira, com 3% de expansão este ano. Nessa toada, o consumo nacional deve esgotar a capacidade de geração só na travessia de 2001 se voltar a chover neste pedaço azul de 2000. Há quem garanta estar tudo sob controle, por enquanto. Até porque, o suprimento da força e da luz deve contar com quatro reforços aí pela proa: a) ignição dos primeiros grandes projetos de termelétricas a óleo e a gás até 2002; b) ativação dos reatores da Angra 2, à carga plena, a partir de agosto; c) aceleração dos programas de conservação de energia; d) importação de energia suplementar da Argentina. Governos, geradoras, distribuidoras e consumidores industriais divergem sobre o ritmo da contagem regressiva para um futuro racionamento de energia. A variável de risco ainda é o curso de enchimento dos reservatórios. Parece que vamos ter em 2000 uma chuvarada mais raquítica que a de 1999. Sim, aqui no Sudeste, endereço de 68% do consumo nacional, os reservatórios da região baixaram para 18% da capacidade no último Natal contra 39% dos reservatórios do Nordeste. Em maio, o rescaldo do verão não passou de 75% da média da estação o pior índice pluviométrico dos últimos tempos, admite Mário Fernando de Melo Santos, presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), autoridade maior para assuntos de abastecimento de eletricidade. Os grandes consumidores industriais, já com as tomadas de molho, aprofundam os respectivos programas de racionalização do uso de energia. O safanão nessa linha não passa de um par de números: a capacidade nacional de geração, nesta altura do calendário, é de 57,6 mil MW (megawatts), para picos de consumo de até 55,7 mil MW. Tecnicamente, no limiar da exaustão do sistema. Para espanar ainda mais a manivela do blecaute, os 30 mil funcionários da Eletrobrás estão em estado de greve (justa) contra um congelamento salarial (mas não tarifário) que dura 66 meses. O sistema operado por eles cobre 70% da demanda nacional. Única certeza: somos todos reféns das represas a meia bomba. Atrasamos por quase duas décadas a ampliação do sistema hidrelétrico e somente agora estamos investindo pesado na instalação de um moderno sistema termelétrico. Uma virada que se dá ainda nas turbulências da transição institucional do setor: 1) privatização das empresas de geração, transmissão e distribuição; 2) novos marcos regulatórios de operação do sistema. Pela água A energia dos rios domados responde por 92% de nossa matriz energética. Só perdemos para a Noruega, com 96%. E pensar que só exploramos menos de um terço do inventário hidrelétrico verde-amarelo. Nova matriz A ordem é refazer a matriz energética, abrindo vez para a geração termelétrica. Que vai da usina atômica à casca de arroz, passando pelo óleo, gás, carvão, lenha, bagaço de cana. Uma Itaipu Um total de 43 novas termelétricas e 58 novas geradoras de autoconsumo industrial e agrícola mobilizam investimentos de US$ 11,4 bilhões. Geração adicional de 13,2 mil MW. Biomassa Decola o aproveitamento do bagaço de cana em São Paulo e da casca de arroz no Rio Grande do Sul. Essa produção independente era proibida nos tempos bicudos do monopólio estatal. |
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