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Regina Pitoscia

Bovespa sobe 11,55% na semana

O mercado financeiro movimentou os negócios com reforçado otimismo em todos os segmentos, pelo fortalecimento da expectativa de desaceleração da economia norte-americana com a divulgação, ontem, de dados que indicam o aumento de desemprego, de 3,9% em março para 4,1% em abril, nos EUA.

A Bolsa de São Paulo disparou e fechou com uma valorização de 5%, a segunda mais elástica do ano, sustentada por um volume financeiro de R$ 1,267 bilhão, a maior desde 28 de abril. Em apenas dois pregões do mês, a Bolsa apura uma valorização de 8,46%.

O dólar comercial permaneceu em queda, desta vez mais acentuada, de 0,99%, cotado por R$ 1,802, no fechamento, e os juros espelhados pelos contratos futuros também despencaram; o dos swaps em negócios de um ano recuou de 20,15% ao ano no dia anterior para 19,60%.

O clima de euforia internamente refletiu a nova onda de otimismo que varreu os mercados mundiais a partir da arrancada das ações no mercado de Nova Iorque e também da valorização dos papéis dos títulos da dívida externa negociada de países como o Brasil e a Argentina. A alta da cotação desses papéis, que corresponde a uma redução da taxa de juro neles embutida, indica a volta de confiança do investidor internacional na economia dos países emergentes.

O índice Nasdaq, que agrupa ações das empresas de alta tecnologia e Internet, sustentou um ganho de 230,88 pontos ou 6,44%, no fechamento, e o Dow Jones, dos papéis de empresas tradicionais, um avanço de 142,56 pontos ou 1,34%. Os C-Bonds, título da dívida brasileira renegociada mais movimentado no mercado externo, fechou valendo 73,37 centavos de dólar, o nível mais elevado desde 5 de abril..

A melhora de cenário externo, alimentado pelo sentimento de que os sinais de desaquecimento da economia dos EUA levem o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a manter o juro básico estável em 6,50% ao ano na reunião do dia 28, pode continuar dando suporte ao avanço das ações, no exterior e aqui. Especialmente por causa da expressiva ampliação de volume na Bolsa paulista. Boa parte dessa expansão, segundo operadores, tem sido assegurada pela troca de ações da Telesp e Tele Sudeste Celular pelos Brazilian Despositary Receipts (BDRs), recibos da Telefónica, e mudança para papéis de outras empresas de telecomunicação.

A Bolsa paulista fechou a semana com uma valorização de 11,55%; no mês, em apenas dois pregões, alta de 8,46%. A perda acumulada no ano encolheu para 5,08%. As cinco maiores altas, entre as 56 ações do Índice Bovespa (IBovespa), foram Tele Nordeste Celular PN, 16,9%; Tele Centro Oeste PN, 16,2%; Telesp Celular PA PN, 15,3%; Tele Celular Sul PN, 13,6%; Itaubanco PN, 10%. As maiores baixas, Transmissão Paulista PN, 5,6%; Siderúrgica Nacional ON, 4,1%; Light ON, 2,4%; Aracruz PNB, 1,2%; e Gerasul ON, 1,1%.

Dólar

As cotações escorregaram com mais força nos mercados de dólar. O paralelo desvalorizou-se 0,68%, cotado por R$ 1,890 para compra e R$ 1,907 para venda, e apurou uma queda de 0,68% na semana; de 0,52% no mês e de 2,85% no ano. O comercial recuou 0,99%, no fechamento, comprado por R$ 1,800 e vendido por R$ 1,802, e encerrou a semana com uma perda de 1,91%, que fica achatada para 1,26% no mês. A variação é nula no ano.

Ouro

O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou o pregão cotado por R$ 17,32 o grama, com valorização de 1,82%, também a da semana. O volume negociado foi de 100 kg. No mês, o ouro doméstico acumula uma alta de 2,18% e, no ano, de 3,10%.

No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy (31,104 gramas) de ouro foi cotada por US$ 281,40 nos contratos para liquidação neste mês.


Jornal do Commercio
Recife - 03.06.2000
Sábado