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500 ANOS DE ARTE III
Azulejos: do clássico ao contemporâneo

Nada mais português, e brasileiro, que azulejo, também conhecido como ‘o mármore dos pobres’. Eles aprimoraram a técnica, elevando-a à condição de arte. Nós a adotamos, durante um período, como a maneira ideal de tornar belas as fachadas das casas e amortecer o calor dos trópicos em seu interior. Numa ida ao Rio de Janeiro é bom colocar na agenda uma visita ao Museu Histórico e Nacional para contemplar A Arte do Azulejo em Portugal no Século 20.

São 60 painéis cerâmicos e 40 fotografias que mostram a presença dos azulejos na construção dos ambientes e das paisagens do século 20 em Portugal. A idéia é mostrar que uma das mais tradicionais expressões artísticas daquele país, ao contrário do que se pensa, não caiu em desuso e conseguiu manter um diálogo com a contemporaneidade.

A mostra é cronologicamente dividida em módulos. O primeiro, de 1901 a 1929, retrata a explosão dos azulejos como revestimento de fachadas. É a época do gosto pela Art Nouveau, com peças em meio relevo tão características dos edifícios de Lisboa, Aveiro ou Porto.

Também nesta fase surge a criação erudita do azulejo. Alguns autores, como Jorge Colaço, vai buscar inspiração no início da História de Portugal; Rafael Bordalo Pinheiro atualiza a forma em linguagem Art Nouveau e Raul Lino aponta para um ‘gosto internacional’ e para um geometrismo que anuncia o Art Deco.

De 1930 a 1949, o azulejo perde seu valor como arte. Este estado só começou a ser revertido quando António Ferro revira as tradições nacionais como fonte de inspiração. Em 1937, Paulo Ferreira desenha o painel Lisbonne aux Mille Couleurs, para o Pavilhão de Portugal da Exposição Internacional de Paris. A partir daí, vários artistas modernistas desenham temas populares que passam a agradar um público mais vasto.

A exposição segue mostrando os altos e baixos enfrentados pela produção cerâmica em Portugal e conclui com as hipóteses de continuidade do azulejo. Indo além de sua banalização, jovens arquitetos voltam a utilizá-lo com originalidade e grande qualidade nas propostas estéticas.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.06.2000
Quinta-feira