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BARCELONA II
Construção do templo causou polêmica entre os espanhóis

Maior projeto arquitetônico de Antônio Gaudí, o Temple Expiatori de la Sagrada Familia começou a ser construído em 1882, financiado pelo livreiro Josep M. Bocabella e sua Associação Josefina. Projetada para ser outra entre tantas igrejas em estilo neogótico de Barcelona, a construção foi iniciada sob a batuta do arquiteto diocesano Francisco de Paula Villar.

Pouco tempo depois, Gaudí entra no projeto e o muda radicalmente. Quer prestar uma homenagem grandiosa à família cristã e à sua própria fé. Tudo é pensado de forma megalômana para a composição no templo: um coro com capacidade para 1.500 cantores (entre eles 700 crianças), cinco enormes órgãos, três grandes fachadas que contariam a saga de Jesus Cristo, 18 torres (representando os apóstolos, os quatro evangélicos, a virgem e o Cristo)... nada era grande o suficiente para mostrar a devoção católica do catalão, que simplesmente para todos seus trabalhos para dedicar-se apenas à construção do templo.

A polêmica começa: é Gaudí um místico, um verdadeiro trabalhador que veio para homenagear o Divino, ou um artista de ego inflado que pretende erguer uma obra para, acima de tudo, elevar o seu nome? A questão divide Barcelona, suscita muitas discussões, mas, ainda assim, a igreja começa a ser erguida com grande apoio popular.

Antônio Gaudí tem pouco tempo para ver seu sonho transformado em realidade. Um dia, saindo das obras do templo, é atropelado por um carro, morrendo instantaneamente. O fato leva a outra polêmica. Para alguns, não é correto seguir a construção sem o seu idealizador. Mesmo assim, os trabalhos continuam, com Gaudí enterrado na cripta da igreja.

Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, os projetos são queimados. Desta vez, o destino da Sagrada Família é oficialmente colocado em xeque. Com a Espanha imersa numa sangrenta batalha, os traçados exuberantes do arquiteto catalão passam a ser meros ornamentos, e as obras só ganham novo fôlego em 1952. Entre 1957 e 1976, foram terminadas parte da Fachada de La Pasión e suas quatro torres.

Até agora, apenas cerca de 35% da igreja foi levantado. Das 18 torres desenhadas, apenas oito estão prontas (Gaudí viu apenas três torres construídas, as da Fachada de la Natividad). Os recursos empregados vêm da atividade turística e de algumas instituições privadas, além da ajuda da igreja. Atualmente, arquitetos espanhóis e franceses dão continuidade aos trabalhos.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.06.2000
Quinta-feira