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IMPOSTO
Auditores querem rever a tabela para o IR 2000

Quem ganha menos está desembolsando mais do que deveria para pagar o Imposto de Renda. O Governo Federal mantém congelado, há seis anos, o limite de isenção e de deduções no IR. Dessa forma, a Receita Federal desconsidera que, neste período, as despesas do contribuinte cresceram junto com a inflação.

Um levantamento feito pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) mostra que,aplicando a inflação de de 28,40%, medida pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPCA), o limite de isenção subiria dos atuais R$ 900 para R$ 1.555,60. A dedução com gastos educacionais passaria de R$ 1.700 para R$ 2.182.

“Um contribuinte com renda mensal de R$ 2 mil, sem reajuste salarial desde 1996, com dois dependentes, paga hoje R$ 876 de imposto de renda, quando deveria recolher R$ 179,31”, revelou o secretário-geral do Unafisco, Carlos André Nogueira. O Unafisco está lançando, no próximo dia 14, uma campanha nacional de esclarecimento à opinião pública sobre o que chama de confisco do dinheiro do contribuinte. “O nosso objetivo é que a sociedade encampe o movimento para forçar o Governo a corrigir a tabela e os limites de deduções do IR”, enfatizou o sindicalista. Os contribuintes poderão calcular quanto estão pagando a mais de imposto, através do site da Unafisco na Internet.

O supervisor nacional do Programa do IR, Luiz Carlos Rocha, admitiu que os gastos com educação cresceram nos últimos seis anos. “Esse limite se desgastou. Mas o nosso argumento é que o reajuste da tabela do IR não se faz necessário porque a correção monetária deixou de existir”.

GREVE – Os auditores fiscais da Receita realizam dois dias de paralisação, em todo o País. No Recife, hoje e amanhã, os funcionários da RF suspendem o atendimento no plantão fiscal e o julgamento de processos. Nos portos e no aeroporto, serão liberadas apenas mercadorias perecíveis, medicamentos, explosivos e combustíveis.

A concentração será a partir das 8h, na sede da Receita, no Bairro do Recife . Eles reivindicam, entre outras coisas, o reajuste de 63%. “A luta é também pela defesa da garantia das carreiras típicas de Estado”, ressaltou o diretor sindical Fernando Araújo.

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Jornal do Commercio
Recife - 04.04.2000
Terça-feira