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COMPORTAMENTO II
Quem disse que elas desistiram de bumbuns belos e empinados?

No país das bundas, não possuir glúteos empinados e bem cuidados é quase uma heresia. Na corrida para ter um bumbum louvável, muita gente acaba recorrendo às injeções de gordura ou mesmo ao bisturi, essa varinha mágica moderna que, acredita-se, traz felicidade instantânea. A comerciante Mônica Santana, 40 anos, é um exemplo da mulher que não abre mão das técnicas cirúrgicas para melhorar o corpo.

Há menos de um ano, ela enxertou 1,8 quilo de gordura no bumbum, após passar por uma lipoaspiração da barriga, costas e parte interna das coxas. A gordura retirada do seu corpo foi reutilizada nas nádegas. “O resultado me agradou muito. Hoje tenho bunda e cintura”, diz Mônica, que está se preparando para mais uma cirurgia: desta vez, ela vai implantar próteses de silicone nos seios. O sutiã 42 vai passar para 44. “Meu marido me dá a maior força”, revela.

Talvez Mônica não saiba, mas a técnica que melhorou os contornos de seus glúteos, o enxerto de gordura, gera polêmica entre os profissionais da área (assim como a aplicação de próteses de silicone no mesmo local). De acordo com o médico Carlos Homero, um dos pioneiros no Estado neste tipo de intervenção, a gordura ainda é a melhor alternativa para preencher os bumbuns. Originalmente, a técnica consiste na aplicação de material adiposo centrifugado nas partes atrofiadas dos glúteos, via injeções.

Homero, no entanto, adaptou o procedimento para um novo método que, acredita, evita a absorção da gordura pelo organismo. “Eu não centrifugo o material, pois esse procedimento destrói as células de gordura. Mortas, elas realmente podem se integrar ao organismo depois de injetadas”. Após ser lavada, a gordura é aplicada tanto abaixo quanto acima do músculo.

De acordo com o médico, essa técnica permite moldar melhor o ‘novo’ bumbum. Segundo ele, a pessoa que recebe o enxerto pode voltar às atividades cotidianas após 15 dias. Mônica teve de tomar alguns cuidados, mas não passou por grandes sufocos no pós-operatório. “Não podia sentar durante 15 dias, nem dormir de costas. É preciso cuidado para não estragar a cirurgia”, aconselha.

Para o presidente nacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luiz Carlos Garcia, o uso da gordura é recomendado para mulheres que estão bastante acima de seu peso. “Apenas a gordura do próprio corpo deve ser usada para estes preenchimentos. No caso, retiramos parte da gordura do abdômen ou das costas, por exemplo, e depois enxertamos no bumbum”.

O cirurgião Fernando Basto conta que já realizou algumas operações plásticas utilizando gordura para melhoria estética de bumbuns. Os resultados, porém, não agradaram o especialista, que é defensor apenas do emprego de próteses de silicone. Basto explica que a gordura termina sendo absorvida pelo organismo, tornando a cirurgia inútil. “Cerca de 80% a 90% do material injetado é incorporado pelo corpo. O resultado é ruim, pois o efeito visual é muito pequeno”, declara.

Segundo o médico, os efeitos são bem melhores quando se utiliza o silicone – e o pós-operatório, nesse caso, é menos traumático. “O processo é bastante semelhante a uma aplicação de prótese nos seios”, explica. A novidade, crê Basto, está começando a atrair muita gente às salas de cirurgia. A aplicação de silicone no bumbum (geralmente a quantidade varia de 200 a 270 mililímetros), no entanto, ainda é bastante salgada: custa, aproximdamente, R$ 10 mil.

Já para Carlos Homero, a aplicação de silicone, em se tratando de bumbum, ainda é bastante questionável. “Existe uma pressão grande sobre a área quando sentamos. Isso pode afetar a forma como o silicone foi colocado. Outro fator negativo é que, com o silicone, não é possível preencher as laterais do bumbum, ao contrário do que acontece quando se utiliza a gordura”, explica o médico. O silicone também é acusado de provocar dor, infecção e mesmo rompimento do tecido.

Com tantas opiniões diferentes, o melhor é conversar bastante com um cirurgião e descobrir que técnica corresponde aos seus anseios. Mas certifique-se, antes de mais nada, se o profissional faz parte da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, como lembra o presidente da entidade, Luiz Carlos Garcia. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 03.09.2000
Domingo