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SKINHEADS Anistia recebe bomba de neonazistas SÃO PAULO O movimento neonazista se manifesta fortemente em São Paulo. No mesmo dia, uma bomba de fabricação caseira foi entregue pelo correio na casa de um funcionário da Anistia Internacional e deputados das comissões de direitos humanos da Câmara de Vereadores e da Assembléia Legislativa de São Paulo receberam cartas com ameaças e a promessa de ofensiva contra os defensores de nordestinos, negros e homossexuais. As duas correspondências têm o mesmo endereço de remetente do pacote-bomba recebido pela Anistia Internacional, mas foram postadas em agências diferentes A bomba tinha uma suástica nazista. O alvo era o apartamento do professor de Educação Física José Eduardo Bernardes da Silva, 40 anos, militante da entidade e que vinha recebendo ameaças pelo telefone. Este é o segundo atentado em menos de um ano contra a Anistia no Estado, que fechou sua sede na capital, em março passado, em razão de sucessivos incidentes com grupos neonazistas. O pacote-bomba foi entregue a Silva pelo porteiro do prédio onde mora, no bairro Higienópolis (centro), ontem por volta do meio-dia. Ele desconfiou do remetente da encomenda e decidiu inspecionar o conteúdo antes de abrir. Usei um estilete para fazer um corte no papel e já vi os fios, afirmou. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar, foi chamado e desmontou no local o artefato produzido à base de pólvora negra e que deveria funcionar como uma granada. Era uma bomba mesmo, com capacidade de destruição e para matar, disse o tenente Dorival Mignanelli. Silva é o mesmo funcionário que encontrou em setembro do ano passado uma bomba de fabricação caseira no escritório da Anistia, no Campo Belo (zona sudoeste da capital). A bomba achada ontem tinha fitas semelhantes, com a cruz suástica desenhada a caneta vermelha e a palavra: vingança. O Gate ainda não sabe dizer como seria o acionamento dela. CARTAS As correspondências ameaçadoras foram enviadas ao vereador Ítalo Cardoso (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, re ao deputado estadual Renato Simões (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de São Paulo. No texto, o grupo diz estar lutando pelo fim dos homossexuais, negros e nordestinos. Todos que defendem essas sub-raças, vão se arrepender e vamos exterminar os principais para dar um exemplo de quem dominará o mundo, diz um dos trechos. Assinam o texto os skinheads. Representantes das duas comissões acompanharam com a Anistia Internacional o caso da morte do adestrador de cães Edson Neris da Silva, assassinado por um grupo de skinheads no centro de São Paulo. |
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