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CRIME
Preso falso procurador da República

por Sílvio Menezes
Especial para o JC

Uma semana após a polícia acabar com uma quadrilha que forjava alvarás de soltura e falsificava assinaturas de juízes do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a instituição voltou a sofrer com a ação de um golpista. Na noite de anteontem, agentes da Polícia Federal prenderam, em flagrante, o estudante Felipe André Gomes, 24 anos, portando uma carteira falsa de procurador da República. Ele, que ‘ocupava o cargo’ desde 98, prestava serviços voluntário para o órgão há dois meses.

O estudante se apresentava como autoridade para transitar entre os ‘poderosos’ do Legislativo, Judiciário e autarquias. Durante todo o tempo em que ‘atuou’ como procurador, Felipe não lucrou um centavo. No entanto, prestígio e status não lhe faltavam. O deputado estadual Pedro Eurico confirmou que o jovem chegou a acompanhar uma sessão da CPI do Narcotráfico depois de se apresentar como procurador. “Ele não teve acesso a informações sigilosas. O falsário assistiu a tudo como qualquer cidadão, pois as portas da Assembléia Legislativa estão abertas a todos. Mesmo assim, devemos repensar a questão da segurança”, comentou.

De acordo com o deputado, o falso procurador se colocou à disposição para acompanhar a comitiva até Salgueiro, mas não chegou a viajar com o grupo. “Ninguém poderia desconfiar de um rapaz bem vestido, que trazia uma carteira de procurador”. Informações extra-oficiais dão conta que o estudante, com apenas o segundo grau do ensino médio, costumava conversar com juízes sobre assuntos diversos.

E foi numa dessas conversas que o falso procurador acabou desmascarado. Ele, que atuava no projeto Criança Cidadã do Tribunal de Justiça, passou a despertar desconfiança pela falta de conhecimento jurídico. Há 30 dias, a segurança do TJPE passou a investigar a vida do suspeito. Na manhã da última segunda-feira os policiais confirmaram que se tratava de um impostor. À noite, por volta das 20h, quando André chegou ao TJPE para uma reunião, acabou preso. Em seu poder estava, além da carteira, um computador portátil com endereços.

Levado para a sede da Polícia Federal, o estudante está incomunicável. O assessor de comunicação da PF, Diógenes Salviano, informou que apenas o superintendente da Polícia Federal – que está em Brasília – poderia falar sobre o caso. Mesmo assim, o policial adiantou que Felipe acabou enquadrado nos artigos 304 e 307 do Código Penal Brasileiro por crimes de uso de documento falso e falsa identidade.

O estudante – que mora no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda – vai ser levado hoje para o Presídio Aníbal Bruno, mas deve responder ao inquérito em liberdade porque o crime é afiançável.

SURPRESA – O procurador da República Sadi Torres Filho ficou surpreso com o caso. “No Estado existem apenas 23 procuradores e um homem conseguiu enganar muitas pessoas durante um longo tempo”, comentou.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira