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HABITAÇÃO
Comunidade protesta contra despejo

Sai nesta segunda-feira a decisão judicial sobre a situação de cerca de 400 famílias que, há cinco anos, ocupam um terreno numa área conhecida como Vila da Paz, no bairro de Caxangá. Ontem, a comunidade fez uma manifestação em frente ao fórum Thomaz de Aquino com o objetivo de mobilizar a opinião pública a seu favor.

O processo está tramitando na 9ª Vara Cível desde 1998. Um ano e três meses após a ocupação, Sebastião Fagundes de Albuquerque, proprietário da Água Mineral Caxangá, entrou com uma ação na Justiça de reintegração de posse do terreno, que está em seu nome. Dessa data em diante, a comunidade se mobilizou para conseguir o direito de permanecer no local.

Segundo o líder comunitário da Vila da Paz, Edvaldo José da Silva, 39 anos, as famílias não se conformam com a possibilidade de abandonar as casas. Durante os últimos cinco anos, ele alega que foram feitas algumas melhorias no terreno. Hoje, as casas de alvenaria são maioria no local, que dispõe de luz elétrica e telefone.

“Investimos tudo o que a gente tinha aqui e não temos para onde ir. Não podemos sair assim”, declarou Edvaldo, que, apesar da difícil situação, aguarda com otimismo a decisão judicial. O argumento usado pela comunidade é que o local onde hoje é a vila, antes estava abandonado e servia como um depósito de lixo.

SEM TETO - Os moradores da Vila da Paz são originários de dois grupos: os retirantes da zona rural e os assalariados que perderam o poder aquisitivo. Muitos deles vieram do interior em busca de dias melhores ou não tiveram mais condições de pagar o aluguel. Este é o caso do açougueiro Josimar Bezerra da Silva, 29.

Pai de dois filhos, de um e dois anos, Josimar chegou ao terreno em 1997, após ter ficado desempregado. Antes, morava de aluguel no bairro da Torre. “Se a gente perder nossas casas vai ser muito complicado. Terei que pegar minhas crianças e arrumar um cantinho debaixo de um viaduto”, diz.

Drama semelhante vive a doméstica Maria do Carmo da Conceição, 32. Ela, o marido e os dois filhos perderam a casa há três anos, durante uma enchente, até que descobriram a vila. “Minha família mora no interior e não temos para onde ir”, reclama. O proprietário do terreno foi procurado pela reportagem do JC, mas não foi localizado.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira