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INDEPENDÊNCIA II
Excluídos querem mobilizar mais de 15 mil pessoas

Paralela às comemorações oficiais dos 178 anos de Independência do Brasil será realizado pela sexta vez consecutiva o Grito dos Excluídos, que em todo o País tem como tema Progresso e Vida, Pátria sem Dívidas. Este ano, a marcha, que reúne grupos como os sem-terra, sem-teto, sem-educação, sem-saúde, sem-emprego e sem-perspectivas de vida, deve contar com a participação de cerca de 15 mil pessoas, conforme estimativa dos organizar-se.

A concentração será às 8h, na frente da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), na Avenida João de Barros. Depois, os manifestantes seguirão em caminhada até o Pátio do Caro. A marcha é promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pastorais sociais, Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizações civis e diferentes igrejas cristãs.

Segundo os organizar-se, este é o grito de todo o povo oprimido que tem seus direitos negados numa sociedade injusta. “Onde a uma minoria privilegiada vive às custas de uma maioria que tem que lutar e se organizar exigindo o direito de ser cidadão, de ser gente com acesso à saúde, à moradia, à terra, ao emprego”, explicam.

“Com o tema Progresso e vida, Pátria sem dívida, pretendemos chamar a atenção da sociedade para o problema da dívida externa e da política nociva que o Fundo Monetário Internacional (FMI) vem impondo ao País”, comenta o coordenador do Fórum Dom Hélder, Gilberto Pedro de Lima.

Durante a caminhada dos participantes, serão feitas três paradas, na Praça 13 de Maio, no Palácio do Governo e no Fórum Thomaz de Aquino, para discutir cidadania, dívida externa e violência. O evento termina com uma grande ciranda.

PLEBISCITO - Grito dos Excluídos encerra o plebiscito nacional sobre a dívida externa, iniciado no último dia 2. Os votantes estarão exercendo sua cidadania dizendo não ao pagamento e sim à vida. “A dívida externa é uma dívida que não fizemos, mas que pagamos a um preço muito elevado. Dinheiro que foi tomado como empréstimo, fora do Brasil, a juros altos”, diz o frade carmelita João José Costa.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira