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REGISTRO DE BENS II
Mamulengo deve ser registrado até o final deste ano pelo Iphan

Até o final do ano, o criador do Mamulengo Só Riso e consultor da Unesco para patrimônio imaterial, Fernando Augusto Gonçalves, estará formulando o pedido de registro do mamulengo junto ao Iphan.

“O mamulengo é uma tradição brasileira que está desaparecendo. Já entramos atrasados no processo de preservação da cultura imaterial do Brasil”, declara.

Ele acrescenta que é preciso “sensibilidade e humildade” por parte de quem vai avaliar os pedidos de registros, para saber respeitar os espaços e os modos de expressão da cultura do povo.

O motivo é simples: os bens não são palpáveis. No caso de Fernando Augusto, deverá ser tombado o mamulengo (manifestação) e não o boneco (veículo de expressão do mamulengo).

“Será necessário um ato de grande consciência cultural para equiparar a Igreja do Amparo com o maracatu ou o mamulengo. Todos são importantes. Sem isso, será mais um decreto”.

Para Fernando Augusto, o decreto foi um passo significativo, pois protege a “singularidade” da cultura. “Espero que tenha uma dotação orçamentária à altura do que está sendo preservado”.

O bonequeiro ressalta que esse é o momento de a sociedade se organizar e pedir o registro de vários bens. Há três anos, ele atuou como consultor para a Unesco no pedido de preservação da principal praça de Marrakesh (Marrocos), Djmá El Fna, maior depositário das tradições culturais do mundo árabe. “A proteção não é para a praça, mas para o que acontece nela”.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira