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Flávio Gadelha cria ambiente para público ‘viajar’ na história

por Luiza Modesto
ESPECIAL PARA O JC

Passageiros e visitantes do Aeroporto Internacional dos Guararapes receberam um ‘presente’ de encher a vista. Agora, enquanto esperam a hora do embarque ou chegada de um amigo, eles têm a oportunidade de ‘viajar’ na história brasileira, especialmente na pernambucana, através da arte de Flávio Gadelha.

O artista plástico, com a ajuda da família Buarque, o designer Fernando e do arquiteto Francisco, montou duas cúpulas no primeiro andar, em frente à pista de pouso e decolagem das aeronaves. Elas contam, através de metáforas, a participação pernambucana na formação da nação brasileira. Medindo 6 x 7m, sustentada por quatro pilares com acabamento barroco, a obra passa a idéia de um ambiente de igreja, com pinturas, esculturas e luminárias, frutos de trabalhos realizados desde 1996. Tudo com assinatura de Gadelha.

Não se trata de uma instalação, como esclarece o artista. E sim, de um ambiente. Tal qual uma gestação, o projeto levou nove meses para ser montado e muita saliva e tato para convencer a Infraero de permitir sua instalação. “Consegui, com muita educação e jeito, convencê-los de que minha idéia beneficia o público e que, de maneira alguma, é um projeto comercial”, diz .

Por que no aeroporto? pergunta-se. Bem, porque “lá chega pessoas de todos os lugares e se afina com meu trabalho, que insinua metaforicamente fatos, lugares, adornos e figuras da história de Pernambuco”, ressalta. Logo na subida para o andar superior, Gadelha vale-se de um dos principais ícones da cultura nordestina, o azulejo. Além deste, Flávio Gadelha decidiu incorporar a sua pintura a palavra escrita. Poesia, é claro. O escolhido foi Bandeira A. de Mello. “Creio que consegui entrosar equilibradamente os dois elementos”, comenta.

A abertura oficial desse ambiente de Gadelha ainda não foi definido pela Infraero. “Tudo indica que será no início da Semana da Pátria”, avisa. Outro fator que Flávio Gadelha gostaria de de esclarecer é que, ao contrário do que pensam, não está ganhando os tubos com a mostra. Está, sim, orgulhoso de ter conseguido reunir sua produção artística dos últimos anos onde idealizou, com a plasticidade que queria e com total segurança para o observador. O resto é intriga da oposição.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.09.2000
Sexta-feira