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Pimenta Rosa é o novo tempero europeu da redescoberta Olinda por Flávia de Gusmão O ano 2000, definitivamente, será marcado no calendário gastronômico local como aquele em que Olinda levantou a poeira que se acumulava pelos cantos da mesa. Há anos, a cidade-patrimônio vinha carecendo de algo que, ainda que de longe, lembrasse um restaurante decente. Georges Thévoz colocou o marco inicial com o Chez Georges, mas, depois dele, outros restaurateurs resolveram redescobrir o caminho da Marim dos Caetés. Valem menção ainda a Creperia, que providencia o crepe nosso de cada dia para quem freqüenta aquelas bandas; o Etnia que faz o mesmo, só que com sushis e sashimis e menção honrosa para o Villa Anzol, recém-inaugurado na Praça de São Pedro, entre outros. Mais uma casa vai disputar com força a preferência do gourmet, não só de Olinda, mas também do Recife. Não se trata exatamente de uma inauguração uma vez que o Pimenta Rosa já está em atividade há nove meses. Mas, a cozinha agora está sob o comando da belga Brigite Anckaert, o que lhe confere algumas qualidades, logo de cara: charme, competência e um delicioso sotaque francês. O primeiro atrativo para este ainda quase desconhecido restaurante é a casa em que está localizado uma das mais belas da Cidade Alta. Ela é dividida em três níveis interligados por uma cozinha que se situa exatamente entre o salão inferior e o primeiro andar. O ponto nobre da casa é, justamente, a parte mais alta, onde fica apenas uma mesa maior para refeições mais cômodas e outras menores para drinques e entradas. Daí se descortina uma vista majestosa de Olinda e Recife. Arrepiante. O ambiente é decorado com sensibilidade, naquele estilo já tão conhecido em algumas casas de Olinda e que poderia ser definido como: chique sem esforço, o que, absolutamente, não significa falta de investimento. Em resumo: bons quadros e tapetes, alguns móveis recrutados de antiquários. A carta de vinhos, no entanto, pede socorro com urgência para que possa acompanhar, com dignidade, sugestões do cardápio, a exemplo da excelente terrine servida com salada ou mesmo de um dos carros-chefes da casa, o camarão com pimenta-rosa. Este fruto da aroeira vermelha, aliás, freqüenta com parcimônia outras receitas como se fosse uma assinatura do lugar. Não vale hesitar diante de carnes pouco consumidas por aqui, como no caso do coelho, um eterno injustiçado na preferência do pernambucano. Aquele que Brigite sugere vem com molho de ameixa confirma o que digo. CASSOULET Terça-feira é o único dia que o Pimenta Rosa não funciona. Nos demais, abre ao público para almoço e jantar. Neste domingo, o restaurante volta a preparar seu tradicional cassoulet. O prato, originário do sudoeste da França, é, basicamente, o similar francês para a nossa feijoada, mas pode ser preparado de várias formas,dependendo das alterações que sofreu ao longo dos séculos, à medida em que foi assimilado por outras regiões. O nome cassoulet deriva da caçarola em que o feijão branco e as carnes são cozidas a cassole dIssel e o prato tem sua origem remota no Languedoc. O que, antes, era uma comida grosseira para trabalhadores rurais terminou por virar uma das mais importantes e ricas iguarias étnicas no mundo ocidental. A receita básica do cassoulet é composta de: feijão branco, carne de porco, tomate, alho, cebola e ervas. Sobre esta base, outros ingredientes foram ascrescentados. A receita de Toulouse, a que mais se aproxima daquela que será servida domingo no Pimenta Rosa, leva ainda pato ou confit doie (pedaços de gansos preservados na própria gordura) e lingüiça de Toulouse. Quem provou não esquece. Pimenta Rosa Rua Bispo Coutinho, 848, Alto da Sé, Olinda, fone: 439.3125 |
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