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COMPORTAMENTO A ascenção dos seios na terra do rebolado Houve um aumento de 40% no número de mulheres que procuram os médicos em busca de seios maiores por Fabiana Moraes
Os seios são o símbolo da feminilidade. Não há nada mais bonito que uma mulher com busto cheio, redondo, que a gente vê pelo decote. Acho que o brasileiro finalmente vai deixar de lado essa tara excessiva por bumbuns, diz o gerente comercial Márcio Lima. Tem gente que não concorda. A bunda jamais será ofuscada pelos seios. Quem é rei não perde a majestade, discursa o administrador de empresas Silton Ferraz, fã confesso de bumbuns empinados e torneados. Opiniões à parte, o fato é o os seios nunca receberam tanta atenção, tanto por parte dos homens quanto das mulheres. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 1999 foram realizadas 300 mil cirurgias plásticas no País, 60% delas estéticas. Destes, 40% foram procedimentos nas mamas. De cada 10 mulheres, cinco diminuíram os seios, enquanto quatro aumentaram (uma resolveu apenas dar firmeza aos seios). Para se ter idéia, em 1994, apenas duas entre cada dez mulheres resolviam elevar o número do sutiã. De acordo com o presidente nacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o gaúcho Luiz Carlos Garcia, do final do segundo semestre de 1999 até agora, houve um aumento de 40% no número de mulheres em busca de seios maiores. Conseqüentemente, houve uma queda na procura pela diminuição de mamas. Agora, o comum é mulheres que usam sutiã 42 peçam para ganhar seios maiores, passando a usar 44, revela o especialista. Garcia é enfático ao enumerar as razões para essa mudança comportamental e estética tão repentina: primeiro, a auto-afirmação conquistada com um corpo mais bonito e a própria concorrência entre as mulheres, sempre obrigadas a estarem com um corpo maravilhoso; segundo, o aumento de qualidade das próteses de silicone; terceiro, e mais importante, a preocupação com a opinião masculina. O QUE ELES QUEREM Tenho observado que os maridos estão acompanhado mais as suas esposas até a sala do cirurgião. Muitos opinam no tamanho dos peitos das mulheres, chegando a pedir para que elas aumentem a quantidade de silicone. Geralmente, elas acatam a opinião deles, revela Garcia. A mídia também é citada pelo médico quando este é questionado sobre as influências de Feiticeiras e Carlas sobre esse novo fenômeno. É lógico, para ele, que as notícias sobre a nova prótese de 300 milímetros de silicone de Fulana tenham efeito imediato no corpo de milhares de mulheres. Mas, em meio a tanto material sintético, como fica o bumbum? Não se enganem: ele vem dando sua contrapartida nessa guerra. As técnicas de aumento e arredondamento (a famosa lipoescultura) vêm se tornando cada vez mais sofisticadas e procuradas. Segundo o médico Carlos Homero o enxerto de gordura no bumbum, prática comum mas ainda repleta de senões, torna-se cada vez mais bem aceita entre as mulheres, principalmente pelos melhores resultados que o procedimento vem apresentando. Hoje, atendo cerca de quatro mulheres, por semana, que me procuram para redefinir os contornos dos glúteos, diz o cirurgião. O também cirurgião plástico Fernando Basto confirma: as cirurgias no bumbum à base de silicone estão se tornando cada vez mais populares entre o público feminino. É uma tendência que deve chegar com força por aqui, acredita. PEITOS TIPO EXPORTAÇÃO Para a psicanalista Ana Beatriz Zoanella, que realiza estudos sobre a feminilidade, a busca da mulher pelo corpo sinuoso, perfeito, não está necessariamente ligada à uma questão de concorrência, como afirmou o médico Luiz Carlos Garcia. Não acredito que uma mulher tome uma decisão desse porte por mera competição. Na verdade, existe um apego a determinado padrão de beleza, que leva uma mulher a querer parecer outra. A mídia tem um peso muito grande nesse caso, afirma. A grande questão, segundo Ana, é saber porque a mulher se deixa influenciar tanto por essa pressão social. Percebo que a busca da beleza muitas vezes está ligada ao objeto amado. Deixar de ser bonita pode significar perder um amor, e aí é que notamos esse culto excessivo à beleza. Já a psicóloga Célia Galvão acredita que o sexo feminino ainda procura ser amado e desejado através do próprio corpo. Também temos cada vez mais acesso aos cirurgiões plásticos e à influência da globalização, além de modelos de beleza importados, diz. E onde fica a opinião dos homens em meio a tantas glândulas e glúteos? Eles são tão influenciados quanto as mulheres nesse culto ao corpo, acredita Célia. |
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