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COMPORTAMENTO IV
Plástica promete nádegas perfeitas em 2001

Agência Globo

O implante de silicone nos glúteos é, hoje, uma prática polêmica entre os cirurgiões plásticos, tais os problemas que surgem no pós-operatório. Os principais são a lenta recuperação, a grande possibilidade de as próteses saírem do lugar e as dores que podem ocorrer pela compressão no nervo ciático.

Tudo isto pode acabar a partir do ano que vem, com a chegada ao Brasil de uma nova técnica de implante de próteses nos glúteos criada por médicos mexicanos. É o que promete o cirurgião plástico Farid Hakme, da clínica carioca Interplástica, que, em maio do próximo ano, promove no Rio um congresso internacional, o Bumbum 2001, para que os mexicanos ensinem a nova técnica aos brasileiros.

Farid Hakme diz que a técnica atual implanta as próteses de silicone sob os músculos grandes e pequenos glúteos ou entre eles, o que provoca a mobilidade das próteses, que ficam assimétricas e, portanto, antiestéticas. E, pior, podem comprimir o nervo ciático, causando dores que levam à retirada das próteses.

“A técnica brasileira hoje em dia não é satisfatória. Se a prótese é colocada um pouco mais alta para não comprimir o nervo, fica artificial. Se fica mais baixa, causa dores. O médico mexicano De La Pena inventou o implante de silicone acima dos músculos, sob finas camadas musculares chamadas fáscias, e o resultado tem sido excelente. Vamos trazê-lo para que ensine aos brasileiros. As próteses de glúteos terão a receptividade que têm hoje as de seios”, espera Hakme.

O implante de próteses nas mamas também percorreu o mesmo caminho, segundo Farid Hakme. Há mais de dez anos, quando eram fixadas sob os músculos, davam problemas. Depois que foram implantadas sobre a musculatura, veio a consagração.

Até que cheguem os mexicanos e a nova técnica, os cirurgiões brasileiros são reticentes quanto às próteses de glúteos. O cirurgião plástico Volney Pitombo diz que o problema não é a lesão no ciático, mas a mobilidade da prótese. “Sabemos onde está o nervo e não vamos atingi-lo, mas os glúteos são uma região de muita mobilidade, e as próteses saem do lugar. Não indico, e só faço em casos especiais de atrofia muscular”, diz.

O cirurgião plástico Paulo Roberto Leal concorda que a técnica é polêmica e, na maioria dos casos, contra-indicada. Já o cirurgião plástico Antonio Américo Gonçalves prefere a lipoaspiração das nádegas para, depois, indicar um enrijecimento dos glúteos através de atividades físicas.

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Jornal do Commercio
Recife - 03.09.2000
Domingo