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SINAIS DE ALERTA II
Relação de dependência leva à loucura

Como explicar, porém, a resistência a situações de limite numa relação amorosa? O que leva homens e mulheres a suportar seus limites e sair da crise conjugal? Para o psicanalista Sergio Nick, a capacidade de conter os impulsos e transformá-los para evitar situações de limite é construída na primeira infância.

“O adulto que enfrenta as crises é aquele cuja mãe foi capaz de satisfazer seus impulsos primitivos no seu primeiro ano de vida. Se esta mãe conseguiu satisfazer o bebê, ele no futuro saberá encontrar outros caminhos para superar os impasses emocionais”, diz.

É por isso que os psicólogos costumam usar questionários sobre as relações familiares para avaliar o equilíbrio emocional e a capacidade de resistência às tensões do cotidiano. Foi esse, por exemplo, o método usado pela psicóloga Denise Werneck para selecionar os candidatos que participaram do programa No limite, da Rede Globo.

Para a psicanalista Thaís de Oliveira, o limite para a maioria das pessoas é o instante em que surge a ameaça de aniquilamento. “O limite saudável diz respeito à auto-preservação física e mental. O do onipotente, que se acha capaz de vencer todos os perigos, pode ser a morte”, comenta.

Já os casos como o do jornalista Pimenta Neves, que matou há 15 dias a ex-namorada Sandra Gomide por não suportar o fim do namoro, não são de amor, segundo a psicanalista. São relações de dependência, nas quais um dos parceiros usa o outro como uma espécie de prótese para completar o que lhe falta emocionalmente para sobreviver.

“Uma mulher jovem pode ser usada por um homem mais velho para provar a si mesmo que ainda é jovem, poderoso e capaz de despertar amor. Se ele perde a mulher, deixa de ter essas certezas e não sabe lidar com a realidade. Por julgar a mulher um objeto de sua propriedade, ele pode até condená-la à morte. Assim, dará a ela um castigo e o destino natural de um objeto que se torna inútil. Neste caso, jogar um objeto no lixo e tirar a vida da mulher têm o mesmo significado”.

Casos de espancamentos, em geral de mulheres machucadas por ex-maridos que não aceitam a separação, são comuns no escritório do advogado Paulo Lins e Silva. Esses são os sinais de alerta para situações de limite. “O que leva à loucura é o medo de perder o outro e de não poder viver só, a traição e a perda de confiança. Isso leva à separação, e deixa as pessoas fora de si. Eu recomendo de imediato a terapia, mesmo nos casos de divórcio amigável, para enfrentar melhor esses momentos tão difíceis. É o melhor caminho para evitar as situações extremas dos crimes passionais”.

Mas nem todo mundo que vive no limite da loucura comete assassinatos ou suicídios. Há os que vivem à beira da loucura e já formam uma classificação clínica, a dos borderline ou fronteiriços, pessoas que vivem no limiar da loucura. A doença está sendo pesquisada pelo Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). Para a psicologa Rita Romato, da USP, o borderline é um doente de difícil diagnóstico e o distúrbio já atinge 2% da população (70% são mulheres em situação financeira precária).

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Jornal do Commercio
Recife - 03.09.2000
Domingo