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ENSINO
Educador defende a expansão sem limites do uso de Internet

por Mona Lisa Dourado
mldourado@jc.com.br

Qual a diferença entre a escola de até 10 anos atrás, onde predominavam como recursos pedagógicos apenas o professor, livros, quadro negro e giz, e a escola dita moderna, com equipamentos de vídeo, som e laboratórios de informática? Nenhuma. Esta é a opinião do diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Nelson Pretto, que ministrou a palestra Software versus Rede; qual o caminho? no I Fórum de Informática na Educação da Universidade Federal de Pernambuco, encerrado ontem.

Falando para profissionais e estudantes de Pedagogia, ele recebeu aplausos entusiasmados ao defender a transformação de uma estrutura de escola, que, apesar da roupagem futurista, continua vertical, linear e centrada na continuidade e na ordem, já que privilegia o domínio da palavra e do saber do professor.

Para tanto, na opinião de Pretto, é necessário centrar o processo educacional na produção de cultura e de conhecimento pelos alunos, o que se daria através da expansão sem limites do uso da Internet nas escolas. A Rede, assim, precisaria ser encarada como uma tecnologia estruturante de uma nova forma de pensar, em vez de só mais uma ferramenta, como vem sendo utilizada.

“Temos que deixar a Internet ser o que ela é: um espaço de produção, enquanto a escola seria o espaço de negociação e debate, onde o professor tem um novo papel de negociador entre os diversos saberes, desejos, etc”, explica, frisando que dentro desse conceito não está prevista a substituição do livro didático, das fitas de vídeo ou das aulas expositivas, usados quando necessário.

Pretto critica o uso de softwares como único recurso tecnológico por acreditar que os programas limitam o aluno ao transformá-lo num mero consumidor de modelos prontos. “Esse é o caminho errado. É preciso trabalhar em cima do fortalecimento da formação do produtor”, opina.

Quanto às modificações para viabilizar tal projeto, Pretto reconhece que elas vão além do âmbito conceitual, sendo fundamental, no mínimo, mudar a grade curricular e adaptar a estrutura espacial das escolas, além de oferecer formação adequada e salário justo aos professores.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira