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CRUZ VERMELHA
Bombas de fragmentação matam mais

GENEBRA – A Cruz Vermelha internacional está pedindo aos governos a suspensão do uso de bombas de fragmentação devido ao fato de as remanescentes dos ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Kosovo mostrarem que os explosivos matam e mutilam, mesmo muito tempo após o fim da guerra, disse ontem um funcionário da instituição.

Em comparação às mortes causadas pela explosão de minas terrestres, há 4,9 vezes mais chances de os feridos ou mortos pelas submunições das bombas de fragmentação serem crianças com idade inferior a 14 anos, informou um estudo de 50 páginas a respeito das bombas despejadas sobre a província iugoslava, promovido pela Comissão Internacional da Cruz Vermelha.

“O impacto sobre crianças é especialmente danoso porque os artefatos explosivos normalmente são de cor amarela e atados a pequenos pára-quedas, o que chama bastante a atenção”, disse Peter Herby, um especialista da Cruz Vermelha.

“As pessoas pensam que os explosivos não têm mais valor porque não foram detonados ao tocar o solo. Mas são muito instáveis e podem explodir a qualquer momento”, acrescentou Herby.

A Comissão Internacional da Cruz Vermelha descobriu que as bombas causaram a morte de 50 pessoas e feriram outras 101 em Kosovo, no primeiro ano que se seguiu ao fim dos bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, segundo o estudo.

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Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira