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DOIS TOQUES
Lula Carlos

Papo a dois

Vamos começar pelo Náutico, que joga com o Remo, e todo cuidado é pouco. Chega de remar contra a maré. O mar está calmo com a vitória sobre o Bandeirante de Brasília, e o jogo de hoje à noite é mais uma vez no seu campinho dos Aflitos. O time do Pará está quase morto. Um tiro de misericórdia e pronto.

O adversário do Santa Cruz é o Gama, que tem a segunda defesa mais vazada do Módulo Azul desta Copa João Havelange. O tipo de defesa de que Romário gosta. Mas o Santa não leva muita vantagem sobre o seu adversário de logo mais, gosta também de tomar os seus golzinhos. O Gama tomou 15 e o Santa 12. Não dá para apontar um favorito.

O Náutico tem que vencer pra voltar às boas comigo. Não dá pra perder desses timinhos que tem enfrentado. A ‘pole position’ tem que ser sempre dele. A vitória do Santa é também necessária, porque o time do Arruda está desaparecendo da competição. É o décimo nono colocado. O Módulo Azul está ficando preto.

Jogo importante, mesmo, é o de amanhã, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, com o Sport enfrentando o Grêmio, quase lanterna, na vigésima terceira colocação. Também, pudera, o técnico do time gaúcho é Celso Roth. Aliás, ele e Leão têm uma coisa em comum, ambos são vítimas do mesmo clube. Ontem, num encontro dos dois, eles conversaram sobre o assunto. Foi um papo rápido, mas um papo e tanto.

Leão começou o papo: – Você é um cara de sorte, Pegou o seu dinheirinho e saiu na hora certa.

Roth – Peguei o quê? A única coisa que eu peguei no Sport foi uma gripe. Quando saí de lá não me deram adeus nem dinheiro.

Leão – A mim prometeram mundos e fundos. Se fosse pra esperar sentado ficaria sem os fundos. São quatro meses sem ver a cor do salário. Nisso, pelo menos, sou tetra.

Roth – Deus te abençoe, homem de sorte.

lulac@jc.com.br


Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira