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Regina Pitoscia

Baixa de 1,07% corta ganho no mês

O mercado financeiro tocou mais um dia de poucos negócios, reflexo da semana que embute dois feriados. O primeiro deles foi o de ontem nos EUA, comemorativo do Dia do Trabalho, e o outro é o de amanhã, feriado doméstico da Independência, que reduziu os negócios ontem e deve manter o mercado esvaziado hoje e principalmente na sexta-feira.

A Bolsa de São Paulo recuou 1,07%, no fechamento, interrompendo dois pregões seguidos de alta da virada do mês e cortando a valorização em setembro para apenas 0,45%. Desta vez, segundo operadores, a queda foi influenciada pela baixa acentuada do índice Nasdaq, da Bolsa eletrônica dos EUA, que fechou com perda de 91,15 pontos ou 2,15%, na retomada dos negócios após o feriado do dia anterior. O índice Dow Jones, das ações de empresas tradicionais, ganhou 21,8 pontos ou 0,19%.

O mercado de ações permanece sem tendência, à espera de algum fato novo que dê alento ao pregão. A sensação de que a inflação freou a alta, sugerida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) de 1,55% em agosto, não influenciou positivamente o mercado de ações. O índice divulgado pela Fipe ontem esteve de acordo com as expectativas do mercado e, se não houver reajuste de preços administrados e tarifas públicas, a previsão é que a inflação de setembro deverá recuar abaixo de 0,5%. As primeiras prévias de inflação deste mês serão anunciadas apenas na próxima semana.

A reversão de tendência da inflação, após dois meses em alta, é bem-vista pelo mercado, que não se ilude com o conservadorismo do BC em relação aos juros. A idéia é que, após o repique inflacionário e principalmente por causa da contínua elevação dos preços internacionais do petróleo, o BC deve manter o juro básico estável em 16,5% ao ano por alguns meses.

A idéia de estabilidade dos juros não combina com uma expectativa mais otimista em relação à economia e à Bolsa. Mas o que inibe a valorização das ações é o baixo volume de recursos que desemboca no pregão, segundo analistas.

O capital estrangeiro não tem vindo para aplicação em Bolsa, mas tem fluído para investimento na economia e a oferta ampliada de dólares no mercado derrubou as cotações.

Dólar
As cotações subiram no paralelo, com o dólar cotado por R$ 1,917 para compra e R$ 1,937 para venda, uma alta de 0,10%. O dólar comercial recuou 0,22%, para R$ 1 821 na compra e R$ 1,823 na venda, no fechamento dos negócios.

Ouro
O ouro movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 17,38 o grama, com valorização de 0,46%. O volume negociado foi de 33 kg. No mercado de NY, na Comex) a onça-troy de ouro foi cotada por US$ 277,10 nos contratos para liquidação em outubro.

Renda fixa
Os juros dos CDBs permaneceram estáveis ontem. Pela taxa máxima, o papel prefixado de 30 dias rendeu 16,17% ao ano, ou rendimento bruto de 1,26% e líquido de 1,01%.


Jornal do Commercio
Recife - 06.09.2000
Quarta-feira