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MERCADO
Para quem pode gastar sem culpa e não abre mão de luxo, muito luxo

Luxo custa caro. Muito caro. Às vezes, chega a ser algo surpreendente. Impensável para os simples e toscos seres comuns. Mas, para muita gente, compensa cada centavo desembolsado. Há quem não se incomode, por exemplo, em sacar o cartão de crédito e gastar US$ 10.500 (cerca de R$ 21 mil) para passar uma noite na suíte presidencial de um dos mais caros hotéis do mundo, o St. Regis, em Manhattan, Nova Iorque. Sim, são R$ 21 mil, líquidos, apenas para deitar-se por um dia sobre uma das três enormes camas de casal de um quarto que é bem maior do que a casa de muitas famílias.

O St. Regis é somente um entre as centenas de hotéis que não possuem o menor pudor em cobrar astronômicas quantias de dinheiro de seus pobres clientes. Todos eles, sem excessão, oferecem aos seus hóspedes algo de valor incalculável: status. “E em que hotel você ficou, querida?”. “Ah, no St. Regis”. Parece aquela propaganda do Credicard, em que o mote é “Isso Não Tem Preço”. A ironia da situação é que não importa aonde estes santuários dourados estão localizados: podem estar instalados na Quinta Avenida, como o citado St. Regis, ou em um economicamente instável país de terceiro mundo.

Em Istambul, o Çiragan Palace, em Beskitas, desconhece o que se passa lá fora, sob o sol quente de lascar. Todos os hóspedes da casa são tratados como verdadeiros sultões, com direito a banhos turcos, massagens e tratamentos em águas termais. Um batalhão de 800 empregados (são 310 quartos, sendo 12 suítes) está pronto para atender a qualquer solicitação. Um passo mínimo e todos já estão ali, com seu eficiente inglês, prontos para socorrer o visitante, que pode ser George Bush (quando era presidente dos Estados Unidos), Jean Paul Gautier, Boris Yeltsin ou Cláudia Schiffer. Preços: quartos comuns custa entre US$ 230 e 550, enquanto as suítes variam de US$ 750 a 2.500. A top of the top, a Sultan Suite, sai por Us$ 5 mil. Quase R$ 10 mil para se ter um dia de sultão. Mas não tem que ser sultão para pagar pelo serviço?

O Camino Real, no México, cobra cerca de R$ 7 mil por dia para abrigar visitantes nas suas suítes mais poderosas. Isso o obriga a receber, invariavelmente, primeiros ministros, príncipes e princesas, além, de, claro, astros da música pop, a exemplo dos músicos do Queen. São 709 quartos, todos com vista para um dos cinco jardins ou para o castelo Chapultepea. Um mar de camarões gigantes, executivos e champagne dentro da pobreza reinante no primo pobre da América do Norte.

DALI E BLOODY MARY – Uma recente pesquisa realizada pela empresa MKG Conseil, por encomenda do Departamento de Turismo de Paris, revelou que os hotéis mais caros do mundo estão localizados em Tóquio, Nova Iorque e Londres. Moscou, Bruxelas, Paris, Milão, Florença e Amsterdã, além de Genebra, Copenhague, Madri e Barcelona, também integram a listinha platinada. Frankfurt, Munique e Berlim representam a Alemanha na pesquisa, que ainda inclui Praga e Budapeste.

Em Berlim, um dos tops é o Art’Otel Ermelerhaus, um poço de modernismo e sofisticação instalado próximo ao sítio histórico medieval Nikolai Quarter, uma das áreas mais bonitas da cidade. Decorado todo em vermelho, verde e azul, o Art’Otel possui aura de museu de Arte Moderna, com design arrojado e limpo. Quartos duplos variam de 98 a 126 libras (R$ 246 a R$ 340, aproximadamente), enquanto a suíte custa entre 141 e 148 (R$ 379 a R$ 398, em média).

A surpresa da lista, Budapeste, guarda alguns oásis de luxo como o Kempinski Corvinus, que possui 340 quartos, com 70 tamanhos diferentes. Todos possuem duas linhas telefônicas e um fax. Foi no Kempinsk que Madonna se hospedou durante as filmagens de Evita. A casa possui apenas seis anos e já conseguiu arrebatar inúmeros hóspedes, que migraram de outros hotéis também bastante luxuosos. Preços: 195 a 225 libras (R$ 525 a R$ 606) pelo quarto duplo; entre 970 e 1.495 libras (R$ 2.613 a R$ 4.028) pelas suítes presidenciais.

Uma curiosidade, trazendo de novo o St.Regis para o centro da discussão: o prédio foi projetado por John Jacobs Astor, a mesma pessoa que desenhou o Titanic. Quem assistir ao filme vai ter uma idéia do luxo que era o navio. E imaginar que o hotel não deixa nada a dever. Só para se ter uma idéia, o lobby do St. Regis é todo feito à base de mármore e bronze. Salvador Dali, que esteve por ali em 1956, deve ter achado surrealista toda aquela pompa. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 31.08.2000
Quinta-feira