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BOTÂNICA
Pesquisadoras identificam planta descrita há 112 anos em Noronha

por Verônica Falcão

Uma planta descoberta em Fernando de Noronha há 112 anos pelo naturalista inglês H. N. Ridley finalmente foi identificada no arquipélago, a 540 quilômetros do Recife. Trata-se de uma espécie rasteira que ocorre exclusivamente na ilha, mas nunca havia sido encontrada por pesquisadores. O mais curioso é que a planta, denominado cientificamente de Combretum rupicolum, é exatamente a mesma vista pelo botânico em junho de 1887 e hoje está esparramada por uma área de 2 mil metros quadrados.

A coincidência se baseia na descrição do naturalista. Em artigo publicado em 1888, ele cita as pedras do Morro do Francês – uma das elevações da ilha – como o lugar da ocorrência da espécie. Durante expedição científica realizada em agosto, a equipe se deparou com a planta, uma espécie de trepadeira ou cipó adaptada a solos pedregosos, no mesmo local.

Os pesquisadores acreditam que o exemplar, que é fêmea, seja o único existente na ilha. Ele teria sobrevivido todos esses anos graças à sua forma de reprodução. Estolonífera, a planta tem a capacidade de enraizar seus ramos quando entram em contato com o solo, dando origem a novos indivíduos. Se não forem transplantados, esses ‘filhotes’ permanecem ligados à ‘mãe’. “Foi isso que aconteceu ao longo de todos esses anos”, diz a botânica Ângela Freitas, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Junto com a bióloga Margareth Grillo, no mês passado ela conseguiu coletar amostra dos frutos da planta, para pesquisa anatômica em laboratório. A dupla de pesquisadoras, que está realizando o levantamento florístico, está desconfiada que eles sejam estéreis. “Provavelmente o fruto se desenvolve sem a fecundação do ovário, o que se chama de partenogênese”, justifica Margareth Grillo, pesquisadora independente, que tem o apoio da UFRPE e da administração da ilha.

ORIGEM – A planta possivelmente tem origem na África, onde as espécies do gênero Combretum geralmente se dividem em indivíduos masculinos e femininos. “Já as existentes nas Américas são na maioria das vezes hermafroditas, com flores ao mesmo tempo masculinas e femininas”, explica Margareth.

Embora seja um exemplar único, a planta não corre risco de extinção, na opinião das pesquisadoras. “Além de estar na área do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, o morro é controlado pela Aeronáutica”, justificam.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.01.2000
Sexta-feira