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Pirão de Parida faz o básico

por FLÁVIA DE GUSMÃO

A história de Jonas José é tão interessante quanto o nome do seu restaurante: Pirão de Parida. Interessante que seja, ela não é diferente de inúmeras outras. Bancário durante vários anos, funcionário exemplar do centro de processamento de dados, Jonas achou que havia chegado a hora de mudar de profissão. Fez acordo com seus empregadores, retirou uma boa quantia e partiu para o sonho de nove entre dez assalariados: ser seu próprio patrão.

É aí que sua trajetória começa a interessar a uma seção como essa. A gastronomia foi o setor escolhido para iniciar o empreendimento. Por que? Pela mesma razão que leva a maioria dos donos de restaurante a trilhar o mesmo caminho: uma certa atração pela arte de comer e servir, algum conhecimento de cozinha, a idéia - muitas vezes errada - de que esse é o negócio mais descomplicado que se pode abrir.

Fã ardoroso da cozinha regional, foi por esse gênero que o novo restaurateur enveredou. O nome escolhido faz alusão a um prato típico do interior do Pernambuco, que nada mais é que uma boa galinhada, de preferência feita com galinha de capoeira gorda da qual, depois de cozida, retira-se o caldo e acrescenta-se farinha de mandioca para engrossar e fazer o pirão. Reza a lenda que esse prato é ideal para dar `sustança' às mulheres que pariram recentemente e precisam recuperar as forças para encarar a fase de amamentação.

O PESO DA REGIÃO - Além desse detalhe ilustrativo, o resto do cardápio do Pirão de Parida segue os parâmetros mais convencionais da cozinha regional, o que pode ser excelente ou, simplesmente, cansativo, dependendo do que se espera. Mas, um detalhe é indiscutível: o preço praticado no lugar é tão abaixo do normal que se pergunta como é que ele faz para ter lucro. Para se ter uma idéia, uma carne-de-sol, fartamente acompanhada por farofa, feijão verde, macaxeira e vinagrete, da qual comem moderadamente três pessoas, custa apenas R$ 6,00. Essa é, sem dúvida, uma grande virtude da casa.

Outra: Jonas é absolutamente comprometido com a qualidade do que serve, daí que sua cozinha é um brinco. Se um ingrediente não estiver à altura de figurar na confecção de um dos pratos, ele não serve. Aconteceu com uma fava com charque, mas, o que parece esmero demais, pode também ser interpretado como falta de previsão: é sempre frustrante para o cliente ter a sua primeira escolha negada.

O grande ponto falho do Pirão de Parida é a sua localização. A casa é quente e os ventiladores colocados no teto não dão vencimento à onda de calor que sobe depois de pratos tão substanciais. Para agravar a situação, a casa só funciona em horário de sol a pique (aliás, no Recife, o único momento em que ele não está assim é quando se põe), das 11h30 às 16h30.

Pirão de Parida - Rua Real da Torre, 602, Madalena, fone: 228.7095

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Jornal do Commercio
Recife - 07.01.2000
Sexta-feira