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COMPORTAMENTO O romantismo está de volta por JULLIANA DE MELO Almejado pela maioria das pessoas, nem sempre de forma explícita, o romantismo volta a ser uma característica cada vez mais presente nos relacionamentos amorosos atuais. Demonstrações de afeto e atitudes diferenciadas no cotidiano dos casais acabam provando que, se estimulado, o romance pode tornar-se eterno e intenso, pelo menos até enquanto durar o sentimento, como diria um certo poeta. Manuais e teorias de conquista, encontrados em várias obras, como o lançamento em português do livro do escritor americano Gregory J.P.Godek, 1001 Maneiras de Ser Romântico, destacam algumas regras para incrementar os relacionamentos (ver matéria na página 3). Especialistas chamam a atenção ao fato de que a procura por este tipo de literatura é crescente. "Isso se deve a necessidade que as pessoas estão sentindo de dar e receber mais cuidados em contrapartida à violência e à individualidade existente no mundo", explica a psicóloga Magali Marino. Apesar de todo o negativismo visto entre as décadas de 80 e 90, o romantismo está de volta, firme e forte. Só que, desta vez, um pouco diferente. De acordo com Magali Marino, o resgate do romantismo, adaptado à atualidade, é mais uma dialética da vida, que ciclicamente volta-se aos valores e características do passado, quando não encontra direções no presente. "As referências atuais ao romantismo não são mais tão utópicas e sonhadoras como no amor romântico do passado. As pessoas têm consciência que o relacionamento pode não durar, mas mesmo assim desejam vivê-lo intensamente", diz a antropóloga Dulce Luna. Nesse tipo de amor, denominado pela antropóloga como amor confluente, o que impera é a igualdade das ações. Homens e mulheres podem demonstrar, com uma maior abertura, seus sentimentos, sem sofrer preconceitos. "Sentir é algo inerente ao ser humano. O que está existindo agora é um nivelamento dos papéis românticos, antes desempenhados pelas mulheres", diz Marino. Historicamente, o amor romântico não existiu nos tempos primórdios. Na época das cavernas - e por muito tempo depois -, o que ligava os homens às mulheres era o desejo físico, como o que acontece com os animais. Foi somente a partir da Idade Média, e em especial do século 18, que poetas e trovadores passaram a cantar o amor e a paixão. De um comportamento mais atencioso às manifestações mais escandalosas de amor, expressar o que se sente nem sempre é uma tarefa fácil, mas necessária. "Ao assumir o sentimento e expressá-lo, a pessoa fica mais feliz e mais saudável pois a repressão das emoções, seja ela qual for, é tremendamente maléfica para o organismo e deve ser a todo custo evitada", explica. Segundo Magali, não é à toa que é possível identificar quando alguém está amando. "A pessoa fica mais bonita, os olhos mais vivos e tudo ao seu redor muda, inclusive sua convivência com os outros". Ela acredita que o maior problema é que a maioria dos casais sentem bastante dificuldades em manter esse clima após um certo tempo de relacionamento, sendo necessário algumas doses de criatividade e iniciativa para reverter o quadro. ENTREGADOR DE ROSAS - Namorando há mais de nove anos, a estudante universitária Renata Barros, 22 anos, e o microempresário Cristiano Athayde, 26, estão sempre buscando novas alternativas para não deixar a relação cair na monotonia. Eles procuram demonstrar de diversas formas o que sentem um pelo outro. "Mesmo sabendo que alguém nos ama, é bom ver esse sentimento expresso de formas mais perceptíveis", ressalta Renata. Além de se falarem todos os dias, enviar cartas e guardar objetos, os dois guardam na lembrança vários fatos marcantes, como o dia em que Cristiano resolveu surpreender Renata no seu aniversário, entregando-lhe um buquê de rosas vermelhas em plena sala de aula. Detalhe: ele estava caracterizado de entregador, sendo reconhecido apenas por ela, o que causou um certo espanto entre os outros quando Renata o beijou, em agradecimento. Renata não deixou por menos. No aniversário dele, colocou vários bilhetes, ligados por charadas, espalhados por vários lugares da cidade. Cristiano acabou recordando todo o namoro, indo aos locais que marcaram suas vidas, como o lugar que começaram a namorar e onde costumam sair. "Foi muito emocionante reviver tudo aquilo e saber o quanto ela gosta de mim", diz. Uma coisa é certa: cada caso é um caso e não existem regras. Alguns pontos, entretanto, tornam-se fundamentais para dar continuidade ao clima de romantismo. Em primeiro lugar, ser romântico não deve ser uma tarefa realizada de vez em quando ou em datas especiais, mas estar nas pequenas atenções do dia-a-dia. "Depois do respeito à individualidade, elogios, participação e cumplicidade, o mais importante é partilhar os momentos com sinceridade, mostrando-se por completo, sem máscaras e sem medos", ressalta a psicóloga Magali Marino. |
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