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COMPORTAMENTO II
A volta das flores, bombons e serenatas

Um dos grandes sinais que comprovam a retomada triunfante do romantismo nos dias de hoje é o aumento do movimento nas floriculturas. Nos últimos cinco anos, a procura por flores, bombons de chocolate e mensagens românticas provocou um acréscimo de 50% nas vendas do setor. Apesar dos maiores cortejadores serem, historicamente, os homens, as mulheres também têm sentido a necessidade de demonstrar carinho por meio de gestos concretos.

As tradicionais rosas vermelhas continuam sendo a forma mais comum desse tipo de expressão, provocando reações de emoção e encantamento para quem as recebe. "Os rapazes geralmente compram flores quando querem conquistar ou se reconciliar com a namorada, enquanto que as mulheres gostam de surpreender", revela o vendedor de flores Pedro dos Santos. Além de uma demanda maior nas datas comemorativas, Pedro conta que vários clientes presenteiam suas companheiras em dias comuns.

Às vezes, no entanto, a descrição passa longe da intencionalidade de muita gente. A empresária Andréa do Vale, 30, e o músico Marcel Moreira, 30, acreditam que quando se gosta de alguém, deve-se chegar aos extremos. Prova disso é que resolveram criar o Telegrama Vivo.

Independente do horário ou do lugar marcado, Andréa se veste de coração, com laço de fita na cabeça, e recita poesias e declarações, acompanhada por Marcel, caracterizado de trovador, tocando e cantando músicas românticas ao fundo. "Já presenciamos muito marmanjo chorar como criança e a emoção atingir pessoas que apenas estavam vendo a apresentação", conta.

MOMENTOS MARCANTES - Mais do que simplesmente agradar ou fazer um mimo, esses tipos de declarações, quando significativas, acabam marcando toda uma vida. A escritora e artista plástica Lenora Oliveira, 71 anos, não esquece do momento, que segundo ela, foi o mais romântico vivido: uma serenata. "Acordei de madrugada com um barulho em frente da minha casa. Um grupo de rapazes tocava e cantava belas canções, além de proferir versos feitos para mim. Foi lindo, como as cenas românticas do filmes hollywoodianos", relembra.

Ao contrário do que muita gente possa pensar, as serenatas não fazem apenas parte do passado. Elas também são vividas com intensidade - talvez menos autênticas, é verdade - em diversas partes do Brasil. Vários grupos de seresteiros espalhados pelo país são contratados, transformando em serviço, o que faziam apenas por prazer.

"A serenata é, sem dúvida, uma das melhores formas de se dizer o quanto alguém é amado", afirma Antônio Mendes, coordenador do famoso Grupo Seresteiros de Olinda, que se apresenta todas as sextas-feiras, percorrendo as ladeiras da Cidade Alta, acompanhados, inevitalvemente, por dezenas de pombinhos apaixonados.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.01.2000
Domingo