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COMPORTAMENTO III Neo-românticos não sonham cor-de-rosa No comportamento neo-romântico, os estereótipos definitivamente estão postos de lado. A mulher romântica não é mais aquela pessoa sonhadora, delicada, dócil e cor-de-rosa, nem o homem um Don Juan em potencial. O conceito de romantismo adaptado à modernidade possui apenas uma única regra: externar os sentimentos. A grande dúvida, no entanto, é saber por que algumas pessoas conseguem se expressar com maior facilidade e outras não. Segundo a psicóloga Magali Marino, a resposta recai na base familiar de cada indivíduo. "Se os filhos vivem em um ambiente em que os pais não demonstram as emoções, dificilmente eles vão conseguir fazê-lo, provocando pouca consciência dos próprios sentimentos e dos sentimentos dos outros", afirma. As raízes das diferenças, estão, portanto, na infância, desde a formação dos filhos. Os meninos e as meninas crescem aprendendo, de forma bastante diferente, a lidar com a emoção. "Apesar desse quadro estar mudando, ainda existe uma maior abertura para as meninas, enquanto que os meninos, desde cedo, são condicionados a não verbalizar, nem demonstrar seus sentimentos". No final das contas, as mulheres encontram-se mais propensas a captar sinais emocionais verbais e não-verbais, de expresar e comunicar seus sentimentos, enquanto que os homens minimizam a todo custo emoções que digam respeito a vulnerabilidade, culpa, medo e dor. "É exatamente o medo acompanhado da decepção, um dos grandes motivos que levam as pessoas a camuflarem seus sentimentos. Com receio de sofrer e se magoar, quem já teve alguma frustração amorosa, costuma não se entregar completamente e evitar exposições", ressalta. Apesar de sempre muito romântica, a universitária Rebeca Santos, 18 anos, espera ser mais racional nos relacionamentos. Desde o término de um namoro de três anos, que consumiu cartas, presentes e declarações de todos os tipos, Rebeca acredita que o romantismo de fato está em extinção. "Com os próximos namorados, serei mais cautelosa". Quando se fala em relações mais intensas, como os casamentos, o romantismo, muitas vezes, torna-se raro. Como dizia a feminista Simone de Beauvoir, "A grande tragédia do casamento é que ele mata o amor". O reflexo da afirmação é sentido nos números de divórcios. Estatísticas do IBGE demonstram que, para cada 100 casamentos, 20 são desfeitos. A artista plástica Lenora Oliveira, 71, é mais contudente: "Na estrutura do casamento não há lugar para o romantismo". Divorciada há 25 anos, ela acredita que o cotidiano é responsável por grande parte da desestruturação, cabendo ao casal, no entanto, não deixar a rotinar dominar o ambiente. "Concordo que as pessoas se casem e morem separadamente, só assim haverá surpresa e emoção nos encontros". |
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