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COMPORTAMENTO IV
Como cultivar seu romance nas inevitáveis 1001 lições

por MONA LISA DOURADO

Os incrédulos, pessimistas e materialistas que perdoem, mas o amor e todas as suas formas de manifestação já definidas pelo poeta Fernado Pessoa como ridículas parece mesmo estar voltando à tona. Em tempos de frieza e superficialidade, é preciso dar um pouco mais de doçura aos relacionamentos, defendem os românticos inveterados.

No que depender dos livros e autores de manuais de auto-ajuda, não há com o que se preocupar, pois, para eles, o romantismo deve permanecer em alta por um longo período. Um exemplo é Gregory Godek, escritor americano que acredita ser o velho e bom romance, com as devidas adaptações para os tempos modernos.

Utopia? Na opinião de Godek, existem pelo menos 1001 formas de se cultivar e fortalecer os laços de união e amor entre um casal na vivência cotidiana da relação. As sugestões estão reunidas no livro 1001 Maneiras de Ser Romântico (Editora Ediouro, 272 páginas, R$ 29), lançado recentemente no Brasil, com tradução de Orlando Lemos.

Conhecido como `Professor de Romance' da América, Godek fez do romantismo a sua profissão e vem organizando há mais de 15 anos seminários sobre romance. De acordo com ele, 1001 Maneiras... é fruto do pedido de milhares de mulheres que tiveram a oportunidade de assistir a uma de suas palestras.

O próprio autor se auto-denomina um romântico incurável. Recém-casado, garante exercer na prática cada um dos 1001 conselhos que fornece em seu candidato a best-seller, já editado em seis países. Folheando a obra, que passa longe de ter qualquer valor literário, percebe-se que ela não é inovadora, trazendo apenas os mais óbvios procedimentos românticos.

"Transforme o comum em especial. Retome a diversão no seu relacionamento, encarando o romance como `brincadeira de adulto'. Faça uma serenata para ela. Jante a luz de velas. Tomem banho juntos. Telefone para ela do trabalho para dizer que a ama" são algumas das `dicas de ouro' que o livro traz.

Para quem nunca assistiu a um filme açucarado e ainda é, digamos, desprovido de imaginação, o manual pode até ser um início, caso o romântico em potencial não saiba por onde começar a fazer demonstrações derramadas para agradar a sua companheira. Por outro lado, se não há nada com o que matar o tempo, a leitura, de preferência feita a dois, pode garantir boas gargalhadas.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.01.2000
Domingo