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SAÚDE
O perigo mora no seu ar condicionado

por MONA LISA DOURADO

Até que ponto o ar condicionado é um elemento que garante o conforto e a tranqüilidade de quem passa horas confinado em ambientes fechados ou representa uma fonte de problemas para a saúde?

Quem responde à questão é o alergologista Paulo Serpa. De acordo com ele, uma central de ar refrigerado e ventilação, quando mal conservada, pode funcionar como uma estufa para a criação e proliferação de vírus, bactérias, fungos, ácaros e insetos causadores de danos graves ao sistema respiratório. "Muitas doenças e problemas alérgicos são desencadeados em decorrência da má qualidade do ar propiciada pela falta de manutenção periódica de equipamentos e dutos", diz o médico.

O alerta se torna ainda mais oportuno à medida que se verificam as estimativas de que, hoje, 45% da população mundial sofre de alergias respiratórias, sendo quase a metade das doenças originadas em locais condicionados. No Brasil, pesquisas indicam que em 80% das áreas fechadas das edificações com idade superior a cinco anos o ar está em más condições para ser absorvido pelo organismo humano.

Por serem lugares públicos de intensa movimentação, shoppings centers, cinemas, hospitais e metrôs merecem uma maior atenção no quesito qualidade do ar. Nesses locais o nível de poluentes quase sempre está acima do recomendado.

Segundo os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), o volume de fungos aceitável em ambientes fechados é de 500 ufes (unidades formadoras de colônia) por metro cúbico. No entanto, a maior parte dos escritórios e estabelecimentos refrigerados do País ainda concorre com a poluição presente nas ruas das grandes metrópoles.

Apesar dos males que pode gerar, a exemplo de irritação de olhos, nariz e garganta, fadiga, tonturas, dores de cabeça, asma e conseqüente comprometimento do bem estar e produtividade no trabalho, a preocupação com a pureza do ar nas áreas refrigeradas é relativamente recente no Brasil.

Para se ter uma idéia, só após a morte do ministro Sérgio Motta - vítima de um processo infeccioso desencadeado por uma bactéria alojada no ar refrigerado do ministério - é que se acelerou a aprovação de uma portaria que regulamenta a fiscalização e conservação de equipamentos de ar condicionado.

Em vigor desde março de 1999, a portaria 3.523 estabelece uma média de 750 ufes por metro cúbico de ar para locais refrigerados, estando os que ultrapassarem esse limite de fungos sujeitos a multas calculadas entre RS 2 mil e R$ 200 mil. "A manutenção periódica das centrais de ar condicionado, que inclui a substituição de filtros saturados, limpeza interna dos dutos, das bandejas coletoras e das serpentinas é a única forma de manter o ar respirável", revela Serpa.

Para o coordenador do curso de refrigeração do Centro Federal de Educação Tecnológica, Péricles Araquan, um dos pontos fundamentais da nova lei é que ela cria obrigações específicas em torno da manutenção dos sistemas de condicionamento de ar. "Antes havia o hábito de se fazer o conserto mecânico e a limpeza apenas do aparelho. Agora, o importante é a conservação sanitária dos dutos, onde se acumula a maior parcela de sujeira", explica.

MANUTENÇÃO JÁ - Outro aspecto positivo proporcionado pela portaria é o de que as empresas especializadas em limpeza de grandes centrais estão desenvolvendo uma série de técnicas e produtos no sentido de garantir a qualidade do ar nos interiores. Atitude esta partilhada pelos fabricantes que começam a adequar os aparelhos de ar condicionado às novas exigências.

"É necessário, por um lado, cobrança por parte das pessoas nos ambientes públicos e, por outro, consciência na hora de realizarem a manutenção de seus próprios condicionadores domésticos", diz José Ambrósio, especialista em limpeza de sistemas de ventilação em ar condicionado. Na opinião dele, o que se realiza atualmente nessa área é um procedimento corretivo, uma vez que as taxas de poluição são extremamente altas, precisando ser controladas. "O ideal é que, dentro de alguns anos, faça-se uma espécie de manutenção preventiva, evitando qualquer risco ao sistema respiratório", afirma.

Procurar manter os ambientes de casa e do trabalho sempre bem arejados também ajuda. "O ar fresco pode reduzir a quantidade de alergenos. Sempre que possível abra as janelas e deixe o ar circular", ensina Paulo Serpa.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.01.2000
Domingo