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Regina Pitoscia

Bovespa cai 0,86% [

O pregão em alta da Bolsa de Nova York, após um período curto de baixa no início dos negócios, não foi suficiente para que a Bolsa de São Paulo desse continuidade à recuperação iniciada no dia anterior. Descolada do mercado nova-iorquino, a Bolsa paulista trabalhou com o índice negativo na maior parte do dia e chegou ao fim do pregão com desvalorização de 0,86%. O volume financeiro superou, mais uma vez, R$ 1 bilhão, foi de R$ 1,004 bilhão, ligeiramente inferior em relação ao anterior.

O mercado doméstico olhou a Bolsa de Nova York e viu dois sinais contraditórios. O principal índice, o Dow Jones, fechou em alta de 130,61 pontos ou 1,17%, e o representativo de ações de empresas de tecnologia e Internet, o Nasdaq, apurou perda de 150,34 pontos ou 3,88%. O descompasso entre os dois índices deixou os investidores domésticos inseguros e mais inclinados à venda para realização de lucros.

O mercado local torce e espera pela chegada do capital estrangeiro, mas está preocupado também com a perspectiva de elevação das taxas de juros nos Estados Unidos. A decisão de aumentar 0,25 ou até 0,50 ponto porcentual o juro básico norte-americano deve ser tomada na reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) marcada para 1º de fevereiro. A expectativa é que até lá os mercados trabalhem com maior instabilidade, por causa de especulações sobre o aumento de juros.

O recuo da Bovespa ontem não refletiu apenas as incertezas internacionais. A baixa das ações traduziu também as preocupações com os sinais de crise política interna, por causa de mais um confronto entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador e presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães. O temor é que o bate-boca nesse início de convocação extraordinária do Congresso ponha em risco os trabalhos de votação das propostas e também leve o Governo a enfrentar mais dificuldades em fazer passar projetos de reformas econômicas.

TENDÊNCIAS – Taxa efetiva projetada pelos contratos futuros de juro para este mês permaneceu em 1,47%; e para fevereiro, em 1,51%. Para março, as apostas são de queda de 1,56% para 1,55%; e para abril, de estabilidade em 1,45%.

Dólar futuro, em relação à cotação à vista do comercial, de R$ 1,842, aponta alta de 0,75%, para R$ R$ 1,8558, até o fim do mês; e de 1,60%, para R$ 1,8714, até fim de fevereiro.

RENDA FIXA – As taxas de juros voltaram ao nível de terça-feira, depois da pequena alta na quarta-feira. Assim, CDBs prefixados de 32 dias foram emitidos por juro máximo de 18,40% ao ano, ou 1,51% bruto e 1,21% líquido. Para o valor de R$ 5 mil, os bancos pagaram em média 14,96% ao ano, ou 1,25% bruto e 1% líquido; para R$ 30 mil, 16,25% ao ano, ou 1,35% bruto e 1,08% líquido; para R$ 50 mil, 17,31% ao ano, ou 1,43% bruto e 1,14% líquido.

Ouro
O ouro movimentado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fechou o pregão cotado por R$ 16,90, estável em relação ao fechamento da véspera. O volume negociado foi de 109 kg. No mercado de Nova York, na Commodity Exchange (Comex), a onça-troy (31,104 gramas) foi cotada por US$ 281,40 nos contratos para liquidação neste mês.

Dólar
Os mercados de dólar inverteram o rumo das cotações, ontem, com desvalorização do paralelo e alta do comercial. O dólar paralelo recuou 0,65%, cotado por R$ 1,957 para compra e R$ 1,977 para venda, e o comercial avançou 0,11%, negociado por R$ 1,840 para compra e R$ 1,842 para venda, no fechamento.

Bolsa
As maiores altas dentre as ações do Índice Bovespa (IBovespa) foram Light ON, 8%; Usiminas PNA, 7,9%; Siderúrgica Nacional ON, 4,4%; Gerasul ON, 3,7%; e Banespa PN, 3,3%. As maiores baixas, Inepar PN, 9,2%; Celesc PNB, 4,9%; Copesul ON, 4,5%; Telesp PN, 4,1%; e Cesp PN, 4%.


Jornal do Commercio
Recife - 07.01.2000
Sexta-feira