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ROTEIRO As paisagens da histórica e colonial Sabará por
BRÁULIO BRILHANTE Localizada entre as cidades de Caraça e Belo Horizonte, às margens do belíssimo Rio das Velhas, Sabará está entre as cidades históricas mineiras mais importantes do período colonial brasileiro. A antiga Vila Real da Conceição do Sabarabuçu remonta aos primórdios de Minas, aos tempos de Borba Gato e da Guerra dos Emboabas, em 1713. A cidade conserva marcas imponentes do século 18, o que a torna uma excelente opção para quem deseja passar as férias curtindo não apenas belas paisagens, mas a origem cultural em que se deu a formação do povo brasileiro. Um dos principais atrativos da cidade é a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, exatamente por ser o mais bem preservado monumento dos primeiros anos da colonização. O estilo nacional português revela o sotaque paulista dos pioneiros e o sabor irresistível do Oriente, que se observa no estilo chinês da ornamentação. A fachada da igreja ostenta linhas despojadas, com cunhais e vãos em madeira. Dentro dela, predominam peças sacras características da primeira fase do barroco em Minas. Outro destaque do passeio, a capelinha de Nossa Senhora do Ó, está localizada na parte sul da cidade, bem ao fundo do Largo de Nossa Senhora do Ó. A igreja foi construída no início do século 18, pelo capitão-mor Lucas Ribeiro de Almeida. Nela, supõe-se, trabalharam na ornamentação artesãos vindos das colônias portuguesas do Oriente. Quem tem o prazer de entrar na igreja fica encantado com o que vê. No seu interior tudo é coberto por uma delicada camada de ouro fino. O altar-mor é o único existente em talha dourada e policromada, onde o vermelho e o azul se misturam em composições harmoniosas. O mesmo ocorre na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, localizada na rua Visconde de Sapucaí, no centro de Sabará. A igreja projeta o impacto da criação de Aleijadinho. Ele é o escultor responsável pelas imagens de São Simão Stock e São João da Cruz, assim como dos atlantes do coro, da balaustrada e da capela-mor. Cena de forte apelo religioso, a imagem do Cristo apontando o coração do avarento é outro legado deixado por Aleijadinho que vem impressionando os visitantes. Outra opção é o Museu do Ouro, instalado na velha casa do intendente. O museu ambienta uma residência senhorial e narra os processos da mineração. Só passeando pelas ruas da cidade é possível perceber em detalhes a beleza do seu casario, a exemplo do antigo Solar do Padre Correia, que pode ser visto na antiga rua Direita, hoje Pedro II. A visita ao centro histórico continua pelo Largo do Rosário até a rua da Intendência, onde foi erguida a Igreja das Mercês, uma das obras mais instigantes do passado colonial da cidade. Construída provavelmente na primeira metade do século 18, a igreja era rejeitada pelas autoridades religiosas da época. O motivo: a Irmandade dos Pretos, entidade formada por negros escravos, alforriados e simpatizantes abolicionistas. Foi destruída e reconstruída inúmeras vezes. Hoje sobraram apenas os escombros como marca indelével do tempo. Outros pontos interessantes que merecem ser vistos: a Igreja de Sant'Ana, localizada no distrito de Arraial Velho, e o teatro municipal, situado na rua Dom Pedro II, um dos mais bonitos do país. Ali, em 1831, diante da hostilidade da platéia, Dom Pedro I resolveu abdicar do trono. No século 19, transformou-se no cine-teatro Borba Gato, entrando, infelizmente em total decadência. |
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