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JARDIM BOTÂNICO Perto do Recife, preciosos pedaços de Mata Atlântica por HUGO PORDEUS
Parte de um cenário cada vez mais raro por conta da devastação que vem sofrendo ao longo de quase cinco séculos, o Jardim Botânico foi inaugurado em março de 1980 em uma área pertencente ao Exército e cedida à Prefeitura do Recife. Abriga cerca de 100 espécies de plantas nativas, a maioria árvores de grande porte como o visgueiro em frente ao escritório da administração do jardim. São necessários cinco homens para "abraçar" o gigante que já conta mais de 400 anos, segundo os especialistas que o identificaram, e mede uns 25 metros de altura. Sucupiras, jaqueiras e sapucaias imensas são rodeadas por arbustos típicos da mata atlântica. As trilhas são a melhor maneira de contemplar cada detalhe das árvores, plantas e flores em um conjunto exuberante armado pela natureza. Após a caminhada, os visitantes podem conhecer as duas sementeiras - uma de plantas nativas, outra com as medicinais - e o orquidário para observar as peculiaridades de cada espécie, ouvindo as explicações dos estagiários e funcionários do Jardim Botânico. Dividindo esse pedaço de Mata Atlântica com as árvores, alguns animais vez ou outra saem de seus esconderijos para se mostrar ao público. Os sagüins são os mais animados. Barulhentos, eles aparecem sempre em grupos e até fazem pose para as fotos. Outros, menos amistosos, como as cobras corais, quase nunca deixam seus ninhos. Os funcionários garantem que nunca houve um incidente envolvendo animais. Borboletas, abelhas, dezenas de espécies de passarinhos e tatus completam a fauna da reserva. PÚBLICO - O Jardim Botânico do Recife é visitado por uma média de 50 a 60 pessoas por dia. Todos alunos das escolas públicas estaduais e municipais que visitam o local para receber uma aula prática de educação ambiental. Através de uma parceria com a Secretaria de Planejamento da prefeitura, o Jardim conseguiu estagiários do setor de comunicação sócio-ambiental para acompanhar os estudantes e eventuais turistas. "Turista só aparece por aqui de vez em quando. Às vezes, estrangeiros ou de outros estados mesmo, mas é difícil". Ao depoimento de "Seu" José Gomes do Nascimento, 64 anos, há 24 trabalhando no Jardim Botânico, dá vontade de responder: não sabem o que estão perdendo. Porém, a falta de divulgação não é o único motivo para a escassez de visitantes. De acordo com o administrador do Jardim Botânico, Tadeu Pontes, hoje os objetivos do espaço estão mais voltados para a preservação das espécies nativas e colaboração em projetos de reflorestamento. "Mas nada impede que a área ganha um uso turístico mais intenso", afirma. Hoje, quem for ao Jardim Botânico vai notar a ausência de qualquer infra-estrutura de apoio aos visitantes. Mas a situação geral da reserva é razoável, sem maiores transtornos para o público. Nos próximos meses, algumas reformas vão deixar o local ainda mais agradável. Com recursos próprios da Emlurb (Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife), o orquidário ganhará novas telas, portas e madeiras; será construído um almoxarifado e uma bomba d'àgua vai garantir a irrigação das mudas. SERVIÇO: Jardim Botânico: 251.2607 |
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