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Gilvandro Filho

Mercado diz a solução

O ano começa com uma discussão iniciada no final de 1999, motivo da última coluna desse ano: a gratuidade do acesso à Internet. O bate-boca já vinha acotecendo, mas o que detonou uma quase histeria foi a decisão do Bradesco de dar acesso grátis ao seu volumoso universo de clientes. Durante esta semana, a coluna recebeu alguns e-mails tratando do tema. Apenas um admitindo conversar sobre a gritaria da Abranet, a assesociação de provedores brasilieros. Os demais defendem a gratuidade do acesso, o que não chega a ser nenhuma surpresa, posto que baseado no desejo legítimo do consumidor.

Do ponto de vista do mercado, acessar a Web sem pagar nada será a prática, em pouqúissimo tempo. Alguns provedores norte-americanos – citados porque sempre acabam ditando o comportamento geral – já fazem assim. No Brasil, várias instituições, como os próprios bancos, têm o acesso à Internet como um plus oferecido aos seu clientes. Quem não abre seu próprio provedor – como fez o Bradesco – se associa aprovedores e encontra alternativas igualmente vantajosas para o internauta. O Banco do Brasil é um exemplo. Através de parceria firmada com 180 provedores, o BB já está oferecendo acesso grátis aos seus clientes; outros 170 provedores estão operando em fase de testes.

A solução encontrada pelo Banco do Brasil pode amenizar as críticas da Abranet. Pode-se até questionar o fato de que algum pagamento será feito a esses provedores pelo banco estatal. Em última análise, um pagamento feito pelo contribuinte. Mas é uma alternativa.

Para os provedores, a saída é uma só: esquecer o acesso como fonte básica de receita e voltar-se para o mercado, captando anúncios, cedendo espaço para e-commerce e vendendo conteúdo diferenciado. Isto é a tendência em toda e qualquer parte do mundo onde se pensa em Web como negócio.




Jornal do Commercio
Recife - 05.01.2000
Quarta-feira