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CONTRATOS
Correção cambial jamais

por ROBERTO CAVALCANTI
Especial para o JC

Quem adquiriu veículos através de contratos de leasing, indexados pelo dólar, ainda continua tendo muita dor de cabeça. Praticamente um ano depois da crise cambial, quando a moeda norte-americana passou a valer quase o dobro do real, grande parte dos consumidores não tem idéia de como quitará o seu débito.

O principal entrave nas negociações diz respeito ao alto valor residual acumulado e que deve ser pago ao final do contrato. Em alguns casos, o resíduo, que corresponde a diferença entre o valor do dólar fixado pelos bancos e o valor real de mercado, ultrapassa R$ 2 mil.

Embora a maioria das instituições financeiras que operavam com o leasing lastreado no dólar esteja oferecendo uma série de facilidades para a quitação do resíduo, o consumidor ainda se mantém intranqüilo. Isto porque, na maioria dos casos, o montante a ser pago pode ser dividido em até 18 parcelas com taxa de juros pré-fixada de 2,38% ao mês, o que representa, além de um reajuste de 42,84% no saldo devedor, o adiamento da quitação por mais um ano e meio.

Até mesmo quem optou em substituir o dólar pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), operação garantida por uma liminar concedida pela Justiça, está tendo sérios problemas.

Como o mérito da ação ainda não foi julgado, os consumidores que já pagaram todas as parcelas do financiamento não estão tendo a documentação de propriedade dos veículos liberada pelos bancos, que aguardam a suspensão da liminar para proceder à cobrança residual.

De acordo com o técnico de crédito do Banco Volkswagen, Carlos Feledi, a maioria dos contratos da carteira de leasing em dólar foram renegociados com a fixação da taxa de câmbio em R$ 1,23 e os prazos de pagamento estendidos de forma que o consumidor tivesse menos prejuizo. Ele afirma que cada cliente teve o seu caso estudado isoladamente, de forma que todo o saldo devedor, incluindo o resíduo, fosse diluído ao longo das parcelas.

Feledi revelou, ainda, que os clientes que não aderiram ao sistema de renegociação terão de pagar o resíduo ao final do contrato. No entanto, ele garante que o banco tem feito propostas de quitação do saldo devedor com descontos que variam de 10% a 20%.

"Estamos oferecendo várias alternativas para nossos clientes, porém, aqueles que optaram pelo INPC como indexador estão fazendo os depósitos em juízo e só terão acesso a documentação de propriedade quando o mérito da ação for julgado. Caso o julgamento seja favorável aos bancos, a dívida terá de ser renegociada".

PARCELAMENTO - O gerente de Marketing do Banco Ford, Fausto Freitas, disse que aos clientes de leasing foi oferecida uma taxa alternativa de câmbio que apresenta variação semestral progressiva. Fixada inicialmente em R$ 1,23, a taxa passou para R$ 1,35 e desde ontem está em R$ 1,50. O resíduo pode ser dividido, ao final do contrato em até 18 meses, com taxa de juros pré-fixada em 2,38%.

"Embora sob o ponto de vista financeiro o parcelamento do saldo devedor não seja uma boa alternativa, como o valor do resíduo, na maioria dos casos, está situado entre R$ 800 e R$ 1,4 mil, o prazo de pagamento pode ser reduzido para seis ou oito meses, sem que isso pese muito no bolso do cliente".

Fausto Freitas afirma, que grande parte dos 1,8 mil contratos de leasing do Banco Ford, em Pernambuco, foram firmados entre julho e dezembro de 1997, o que denota um grande volume de quitações no último semestre do ano passado. "Observamos que muitos dos nossos clientes que tiveram os contratos encerrados, optaram pelo pagamento do resíduo a vista, evitando, assim, o prolongamento da dívida".

Todos os contratos de leasing do Banco General Motors, segundo o assessor de imprensa da empresa, Bob Sharp, foram renegociados entre os meses de abril e junho do ano passado, sendo o dólar substituído por taxas de juros de mercado, evitando, assim, o saldo devedor. O assessor, que não soube informar o valor da taxa de juros cobrada na indexação das operações de leasing, revelou que não existe nenhum tipo de problema com os mais de duzentos contratos firmados em Pernambuco.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.01.2000
Domingo