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VENDA
Usina Santa Terezinha vai ser leiloada

O que restou da Usina Santa Terezinha vai a leilão no próximo dia 25 de julho por um preço mínimo de R$ 3,6 milhões, no prédio da Justiça do Trabalho de Palmares, Mata Sul de Pernambuco. Há quatro anos, a Justiça do Trabalho está leiloando o parque fabril e uma área de 25 hectares que pertencem à empresa, que já teve engenho espalhados em cerca de 25 mil hectares.

A área que não está incluída no leilão, ou já foi leiloada ou está sendo arrendada para fornecedores de cana. Caso aconteça a venda, os recursos do leilão serão distribuídos entre os trabalhadores que têm processos contra a usina.

A história da decadência da empresa é longa e vem se arrastando há quase 16 anos. Em 1984, a Usina teve a sua primeira intervenção judicial, quando um grupo de trabalhadores iniciou um processo de auto-gestão com a permissão da Justiça do Trabalho.

A administração de auto-gestão passou 10 anos e não conseguiu diminuir os débitos da empresa. Com isso, a Justiça não permitiu que a empresa continuasse sendo administrada pelos trabalhadores.

Depois de 94, a usina ainda chegou a moer num processo de cooperativa realizado por uma parte dos seus funcionários, com o financiamento de um dos acionistas da empresa. Essa tentativa também não deu certo e a companhia deixou de moer desde a safra 97/98.

“A produtividade era de 70 quilos de açúcar para cada tonelada de cana moída e isso era muito baixo para viabilizar o custo da produção”, explicou o advogado Edvaldo Cordeiro dos Santos, que defende uma parte dos trabalhadores que estão acionando judicialmente a usina. O processo de execução da empresa existe desde 94.“Esse é um processo de execução crônica”, disse o advogado.

DÉBITOS – Na Justiça do Trabalho de Palmares, existem 850 processos contra a companhia, dos quais alguns foram iniciados há mais de 20 anos, nos cálculos de Santos. O advogado estima que a dívida que a Usina tem com os trabalhadores seja de cerca de R$ 200 milhões.

Um dos acionistas da usina, Ricardo Pessoa de Queiroz, afirmou que a sua família não tem mais interesse em explorar a empresa, porque “acabaram com a Usina durante a intervenção”. O empresário argumentou que as dívidas trabalhistas da empresa aumentaram muito no período de auto gestão.

Localizada em Água Preta, a Santa Terezinha já chegou a fabricar 1,1 milhão de sacos de açúcar na safra 79/80, de acordo com Ricardo Pessoa de Queiroz. A empresa empregava 750 pessoas na indústria e cerca de três mil pessoas no campo.A empresa já foi a principal geradora de emprego e renda para o município de Água Preta e cidades próximas.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.06.2000
Quarta-feira