
CINEMA
O charme
de Hannibal está de volta AGÊNCIA FOLHA
FLORENÇA
De chapéu panamá e óculos escuros, assim como fora
visto pela última vez, há quase dez anos, o doutor
Hannibal Lecter reapareceu na semana passada na Itália.
As roupas leves e coloridas de turista, porém, foram
substituídas por um sisudo terno-e-gravata. É que
Hannibal, a continuação de O Silêncio dos Inocentes
(1991), ao contrário do que sugeria o final do filme
vencedor de cinco Oscar, não partirá de um paraíso
tropical, e sim da elegante Florença. Anthony Hopkins,
que ganhou o Oscar de melhor ator, fez uma saborosa (!!)
provocação em sua reaparição como Lecter, lembrado na
maneira como ele se comportou na entrevista que anunciou
as filmagens.
Por trás dos óculos
escuros, Hopkins/Lecter, gestos econômicos e boca
entreaberta, observava os jornalistas como quem escolhe
sua próxima vítima. Incomodado, um italiano indagou:
Tenho a sensação de que é o próprio Hannibal quem
está aqui. É só impressão? A resposta, com a voz doce
e pausada, reforçou ainda mais a confusão. Sou um
ator, posso me sentir como Hannibal. Podemos conversar
sobre isso no almoço, provocou. O ator só deixou
de lado a sua porção Lecter ao falar sobre suas
preferências gastronômicas em Florença. Como
tudo, menos carne, brincou.
Nem me passou pela
cabeça deixar de participar da continuação de O
Silêncio dos Inocentes. Sou fascinado pela natureza do
thriller e do personagem, disse. Para Hopkins, o
sucesso do filme pode ser explicado pelo fato de o medo
estar presente na natureza humana. Hitchcock tinha
uma explicação para isso. Dizia: Por que as
pessoas gostam dos meus filmes? Porque é como chegar
para um bebê e fazer buú. Ou seja, as pessoas tomam um
susto, mas depois se divertem com aquilo.
Em Hannibal, Hopkins não
repetirá a parceria com Jodie Foster, que se recusou a
participar da continuação. Em lugar fica Julianne
Moore.
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