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TERRAS
Quatro indiciados por morte de sindicalista

Quatro pessoas foram indiciadas pela morte do sindicalista rural Severino Barbosa dos Santos, morto no dia 8 de março, em Glória do Goitá, no Agreste do Estado. O inquérito policial, concluído pela delegada especial Anete Marques, indiciou por homicídio qualificado Amaro Caetano da Silva, 50 anos, Antônio Gonçalo Dantas, 42, José Severino de Santana, 49, e João Inácio Ferreira, 41. “O crime é qualificado porque ficou comprovado que o sindicalista foi encurralado sem chance de defesa”, classificou a delegada.

O assassinato de Severino Manoel dos Santos foi o primeiro crime ligado aos conflitos agrários em Pernambuco este ano. Ele foi morto no momento em que se dirigiu a um acampamento na Fazenda Briosa, onde 60 barracos estavam sendo incendiados por capatazes da Usina Alvorada, proprietária das terras. Sessenta e duas famílias estavam alojadas no local há cerca de três anos. Elas voltaram a ocupar a localidade após a morte do líder rural.

O inquérito policial foi enviado ainda ontem à Comarca de Justiça de Glória do Goitá. Ninguém foi indiciado como autor intelectual do crime. “Faz tempo que o dono da terra não aparece no local”, justificou a delegada Anete Marques. “Os próprios empregados tomaram a iniciativa de expulsar os agricultores e agir de forma violenta contra o sindicalista”, completou.

Um trabalhador ligado ao acampamento, entretanto, revelou que o administrador da fazenda estaria rondando a localidade e ameaçando o sindicalista. Os capatazes teriam agido sob suas ordens. O trabalhador pediu para não ser identificado por temer por sua integridade física.

Dos indiciados, José de Santana e João Ferreira são contratados apenas como auxiliares de serviços gerais da Fazenda Briosa. Amaro Caetano é chefe de segurança e Antônio Gonçalo Dantas, vigilante da propriedade.

O inquérito foi concluído após seu prazo legal para execução (30 dias). “Tive que aguardar laudos da perícia, que demoraram a ficar prontos”, justificou a delegada Anete Marques. O Instituto de Criminalística da Polícia Civil realizou uma reprodução simulada do crime. “Pela perícia, ficou constatado que o tiro fatal partiu da arma de Amaro da Silva”, revelou.

A Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Pernambuco (Fetape) divulgou que já esperava o resultado do inquérito. “Todos os trabalhadores viram que eles participaram do crime”, declarou o coordenador da Fetape Rodrigo Cortez.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira