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VIOLÊNCIA
Cinco mulheres assassinadas em três dias

A Polícia Civil de Pernambuco registrou, na tarde de segunda-feira, o quinto homicídio contra mulher nos últimos três dias. A balconista Risoneide Moreno da Silva, 19 anos, foi assassinada com um tiro na cabeça, no apartamento do namorado, o borracheiro conhecido como Vando, por volta das 16h. A balconista ainda chegou a ser socorrida para o Hospital da Restauração, mas faleceu.

De acordo com o gari Domingos Moreno da Silva, irmão da vítima, há um mês e meio, Rosineide conheceu Vando na lanchonete em que trabalha, no município de Paudalho. Ela começou a namorar o rapaz e passou a vir ao Recife, onde se hospedava na casa dele, no bairro da Estância.

No último domingo, ela falou para a mãe que estava voltando para a casa do namorado e só iria a Paudalho no Dia das Mães. “O que me disseram lá perto da casa desse cara é que eles discutiram e o tal de Vando apareceu na rua dizendo que tinha acabado de matar a mulher”, afirmou Domingos.

Segundo o gari, o borracheiro está desaparecido desde ontem à noite e não há qualquer pista do paradeiro dele. “Com certeza foi ele quem atirou na minha irmã. Só não sabemos porque, já que eles pareciam se dar bem”.

AGRESSÕES – À frente da 1ª Delegacia da Mulher de Pernambuco há um ano e meio, a delegada Inalva Regina recebe cerca de 30 queixas de agressão e ameaça todos os dias. Apesar da Delegacia da Mulher ter entre as suas atribuições a investigação de homicídios, a apuração da grande maioria desses delitos acaba ficando a cargo das delegacias distritais. O cotidiano da especializada é movimentado por brigas domésticas que muitas vezes são o primeiro passo para um crime mais grave.

“A mulher que apanha pela primeira vez e se cala, certamente vai ser agredida de novo. Em muitos casos, a agressão que parece ser boba pode ser o estopim para um homicídio”, avaliou Inalva Regina.

Outro fator importante que contribui para a impunidade dos agressores é a dependência financeira das vítimas. Muitas mulheres não denunciam os companheiros porque não possuem um lugar para ficar com os filhos. “Nesses casos temos como opção a Casa de Assistência à Mulher mantida pelo Estado. Mesmo assim sabemos que é difícil para as vítimas abandonar tudo e se mudar para um abrigo”.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.05.2000
Quarta-feira